Defendo, e como eu muitos outros, que o desenvolvimento, seja ele organizacional ou territorial, impõe um conjunto de sinergias, de complementaridades e de actuações conjuntas, que impactam nos resultados mas também nos recursos que cada processo exige.

   

Evidentemente que este paradigma granjeia a concordância de todos, mas entre a teoria e a prática a distância traduz-se na disfuncionalidade das organizações, numa enormidade de investimentos replicados, num conjunto de políticas e práticas isoladas e pouco eficazes, em infra-estrututuras e equipamentos subutilizados, e num cenário global que evidencia que continuamos culturalmente a ser muito mais adeptos do “cada um por si” do que da “união faz a força”.

   

Neste contexto pouco colaborativo surgem evidentemente bons exemplos que apenas atestam a necessidade de passarem da excepção à regra, mas continuamos longe do momento em que estes valores impregnarão o nosso ADN individual e colectivo.

   

Analisemos o caso do turismo… um caso de sucesso…um sector exportador…

   

Portugal tem-se vindo gradualmente a afirmar como destino turístico, como atesta a objectividade dos números. Um dos factores diferenciadores do nosso país é a diversidade geograficamente concentrada, ou seja uma multiplicidade de recursos e produtos turísticos num território acessível que pode ser visitado e consumido num curto espaço de tempo. A complementaridade entre territórios e produtos, entre outros factores, coloca-nos numa posição privilegiada face a outros destinos concorrentes.

   

O visitante é completamente indiferente aos limites administrativos do território, anseia uma experiência turística de qualidade, proporcionada pelo consumo da oferta tangível e intangível que o território, como um todo, coloca à sua disposição.

   

No entanto, indiferentes a esta realidade, muitos dos gestores continuam a apostar na definição e implementação de políticas e práticas desarticuladas, em investimentos redundantes, recorrentemente impossibilitados, perante a escassez de recursos, de responder individualmente a algumas insuficiências, mas ainda assim incapazes de reflectirem e agirem de forma concertada em nome do desenvolvimento turístico. Um cenário que se repete de norte a sul do país, com honrosas excepções, e que constitui um forte entrave a um sucesso mais expressivo.

   

A mudança por decreto…

   

O actual Quadro Comunitário de Apoio empurra-nos no sentido das parcerias, das estratégias conjuntas, dos projectos colaborativos. Resta-nos a esperança do que não foi conseguido ao longo da história, seja alcançado por forças das circunstâncias, no turismo e em todos os outros sectores, em nome da competitividade do país e da qualidade de vida de cada um de nós.Fotografia de capa por nmorao

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Mónica Morais de Brito

Diretora Executiva do Sines Tecnopolo e Professora Universitária
Doutorada em Turismo Lazer e Cultura pela Universidade de Coimbra. Ao longo da sua carreira profissional tem compatibilizado a carreira académica e a investigação com cargos de direcção e gestão no Estado e em Empresas. Os seus interesses de investigação prendem-se com a dualidade da sua intervenção, recaindo nomeadamente sobre o planeamento e desenvolvimento turístico, Empreendedorismo e Inovação em Turismo, Turismo e Recursos Humanos e Turismo Industrial.

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