Na sequência das profundas alterações ocorridas no nosso país com a revolução de 25 de Abril de 1974, as câmaras municipais e, em menor grau, as juntas de freguesia, passaram a dispor de enquadramento legal e de meios humanos, técnicos e financeiros, como nunca antes, para a concretização de novas e mais profundas iniciativas na área cultural.

   

Foram sendo publicadas monografias locais, em especial na área da História, assentes em largas pesquisas documentais, enquadramento geral e visão crítica.

   

Neste âmbito, de entre as autarquias da margem sul do estuário do Tejo, importa destacar a ação desenvolvida pela Junta de Freguesia de Pinhal Novo, durante a presidência e por iniciativa do Dr. Álvaro Manuel Balseiro Amaro, no período que decorreu de 1998 a 2009.

   

Pontual e metodicamente, ano após ano, em geral no Dia da Freguesia (ou próximo), por iniciativa do Presidente da Junta e sob a direção de Aníbal Guerreiro de Sousa (figura cimeira do associativismo e da cultura pinhalnovenses das últimas décadas do século XX), e, por vezes, também, com o patrocínio de entidades privadas, era lançado um novo volume monográfico, criteriosamente selecionado.

   

A coleção começou com a reedição da obra da autoria do Professor Doutor Orlando Ribeiro e de J. Ribeiro Lisboa intitulada “As transformações do povoamento e das culturas na área de Pinhal Novo” (1998, 35 pp.).

   

De entre as obras publicadas depois, importa destacar os três estudos fundamentais escritos pelo investigador pinhalnovense Dr. José Cabrita: “Entre a gândara e a terra galega” (1998, 77 pp.); “José Maria dos Santos. E antes de “grande agricultor”?” (1999,  117 pp., com um prefácio do saudoso Dr. António Matos Fortuna); e “Rio Frio, retrato de uma grande casa agrícola” (2006, 111 pp.).
   

A coleção terminou com a publicação da dissertação de Mestrado em Estudos Portugueses (Culturas Regionais Portuguesas) da Dr.a Paula Maria Cruz Andrade, “Pinhal Novo: movimentos migratórios dos “caramelos”, povoamento e construção de uma identidade cultural” (2009, 144 pp.).

   

No meu caso pessoal e em resposta a um desafio lançado por Aníbal de Sousa no volume anterior, publiquei na coleção o meu primeiro livro, o qual viria a revelar-se determinante em todo o meu trabalho de investigação posterior: “Círios de Caramelos” (2000, 224 pp.). Dado que o livro veio a adquirir uma dimensão maior do que a inicialmente prevista, e, consequentemente, um acréscimo de custos, a Câmara Municipal de Palmela, então sob a presidência de Carlos de Sousa, acabou por ser chamada a contribuir financeiramente para o projecto.

   

Com as saídas de Aníbal de Sousa da direção da colecção, e, mais tarde, do Dr. Álvaro Amaro da Junta, para se candidatar à presidência da Câmara Municipal de Palmela, o projeto parece ter acabado, porquanto não foram publicados novos volumes e não se reeditou nenhum dos que se foi esgotando.

   

Para os autores, como é o meu caso, põe-se a questão, cada vez mais premente, de encontrar soluções para a republicação dos volumes, com outro editor ou em edição de autor.

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Mário Balseiro Dias

Professor
Mário João Balseiro Dias nasceu em Vale Porrim, próximo de Atalaia, no concelho de Montijo, em 28 de dezembro de 1958. Atualmente, reside em Setúbal. Licenciou-se em Ciências Jurídico-Políticas na Faculdade de Direito da Universidade Clássica de Lisboa. É Mestre em História Regional e Local pela Faculdade de Letras da mesma universidade, com a classificação máxima, atribuída por unanimidade: Muito Bom. Profissionalmente, exerce a docência na Escola Secundária c/ 3.o Ciclo Poeta Joaquim Serra, em Montijo.

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