Neste tempo de festas populares, o tempo não ajudou. Deu-nos dores de cabeça, ansiedades, e nervosismos, Foi uma seca!

Contudo, no passado fim-de-semana, tive a sorte de ouvir mais uma vez o grupo “Cruzados”. Foi na Ritália e Bocage, e adorei todo o espetáculo e energia que eles transmitem. Fazendo a ponte entre os anos 80 e a atualidade , têm um público diversificado, desde as crianças até aos cinquentões, com apontamentos do António Variações ou dos Já Fumega, passando por temas originais.

São 5 jovens, extremamente cúmplices, que dão o seu melhor, numa noite inesquecível. Não os perca se atuarem na sua zona, porque merecem a pena.

O seu nome faz-nos pensar em outros tempos heroicos, nomes de Reis e de conquistadores, dum , como é ainda Jerusalém, a par de Roma e de Santiago de Compostela. No 1º milénio, o pânico instalou-se. Boatos sobre o fim do mundo, faziam com que as pessoas vivessem com medo de que a civilização acabasse, tal como a conheciam. O 1º milénio teve as mesmas consequências do 2º milénio: medo levado extremo.

Autores com Duby escreveram brilhantemente sobre o assunto e os medos milenares afetaram todas as civilizações. As cruzadas foram criadas para combater os árabes mas também para alargar o poder temporal e papal. Na esteira dos cruzados, seguiam os tarfurs, movimento de pobres de alma e de espirito, composta por andrajosos, prostitutas e crianças ladras que para além de seguirem os cruzados, acabavam de destruir o que aqueles poupavam. Eram verdadeiras razias…e o resto conta a História.

Fotografia de aesop

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Conceição Pereira

Antropóloga e professora desempregada
Cidadã solidária para com a sociedade.

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