Em primeiro lugar vamos definir como lactente a criança de 29 dias a 2 anos de idade.

O tema da crónica de hoje é das situações mais frequentes que provocam mal-estar na criança e que tanto amarguram os seus pais e avós. Estima-se que afecta cerca de 40 a 50% dos lactentes. É tão frequente que até se costuma dizer-se que não há bebé sem cólicas.

Uma criança no primeiro trimestre de vida, aparentemente saudável e tranquilo, que subitamente começa com episódio de choro agudo, sem causa justificável, muitas vezes após a ingestão de alimento e que melhora se lhe pegarmos ao colo variando de posição, pode pensar-se que a causa de tanto sofrimento ser resultante de uma simples cólica abdominal transitória.

Inicialmente ou por persistência da situação, o pediatra é consultado para tentar remediar o transtorno, indicando variadas soluções até encontrar aquela que resulte melhor.

Por vezes, o choro tem como justificação causas digestivas, sendo a mais frequente a intolerância às proteínas do leite de vaca (APLV) ou porque o bebé se alimenta com leite de fórmula, – por biberão, o leite é adaptado a partir do leite de vaca-, ou porque a mãe ingere excesso de produtos lácteos, se o aleitamento é a peito.

Normalmente verifica-se um aumento na produção de gases intestinais ou uma incapacidade na sua eliminação, mas frequentemente o lactente engole demasiado ar, ou porque é sôfrego em se alimentar, outras vezes, por a mãe não ter o mamilos bem formados e haver necessidade em usar mamilos de silicone, levando a uma má adaptação da boca da criança.

Não é de excluir a hipótese da justificação das cólicas serem resultantes da imaturidade intestinal. Até a momento do nascimento o feto é “alimentado” pelo sangue da mãe, veiculado pela placenta através do cordão umbilical. Após o nascimento a criança passa a ingerir alimentos pela boca. Tem de digeri-los, assimilar os nutrientes a nível intestinal e eliminar os restos, pelas fezes. De um momento para o outro muito se modifica. Umas têm o aparelho digestivo mais imaturo, outras não. Daí pensar-se da necessidade de uma certa aprendizagem ou “rodagem”.

Quando aparecem as primeiras cólicas, a criança deve ser observada por um pediatra para confirmar se tem alguma doença que necessite de cuidados urgentes, ou pelo contrário, se se trata de uma situação normal de cólicas abdominais. Para além de alguns aconselhamentos, pode ser necessário associar alguma medicação.

É muito importante esclarecer os pais e mantê-los calmos pois, a ansiedade dos pais pode provocar o choro do bebé. Aconselha-se paciência para não agravar a situação.

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Luís Cabrita

Médico Pediatra

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