Recentemente as notícias vindas da China estremecerem os mercados internacionais. A situação instável vivida naquele mercado asiático conduziu e continua a conduzir a uma grande volatilidade das bolsas internacionais com consequências nos mercados de todo o mundo.

Por que motivo o que se passa na China é tão importante que até pode influenciar o preço da gasolina, que cada um de nós utiliza no seu carro, ou os juros da dívida externa que Portugal vai pagar no curto ou no médio prazo?

Avancemos aqui uma explicação.

Todos sabem que a China é um grande mercado mas nem todos sabem que neste momento em termos de Produto Interno Bruto nominal (PIB), a China é a segunda maior economia do mundo depois dos Estados Unidos de América, existindo mesmo previsões que na próxima década deverá ultrapassar a economia dos EUA. Considerando a paridade do poder de compra (PPP) as estimativas do Fundo Monetário Internacional já neste momento indicam a China como líder mundial. O PIB (nominal) da China em 2014 foi avaliado em cerca de 11.2 biliões de dólares e o PIB em PPP em quase 19 biliões de dólares, o que significa qualquer coisa como 13.4 % do PIB mundial.

Este posicionamento deve-se principalmente ao forte crescimento anual da China nos últimos 30 anos. Neste periodo, a economia chinesa cresceu em média 10 % ao ano com uma tendência, nos ultimos anos, para alguma diminuição. (A estimativa de crescimento para 2015 é de 7 %). Em comparação, a UE neste período apresentou um crescimento médio à volta dos 2.5 % e nos últimos dez anos o crescimento tem sido quase insignificante. Como se constata a China está a crescer menos nos últimos anos e está também a importar menos, ou seja, a procura chinesa dirigida a outros mercados diminuiu. Estamos a falar de uma procura de milhões de dólares por dia. A falta de procura dirigida para produtos provenientes principalmente dos mercado desenvolvidos (EUA, UE) provoca uma diminuição da produção nestes mercados.

Conseguimos ver esse efeito no mercado de petróleo. A diminuição da procura neste mercado fez com que os preços do barril de petróleo no mundo caíssem num ano, entre o verão de 2014 e o verão de 2015, para metade do preço.

A China é um centro mundial de produção de bens e é a maior economia industrial do mundo. A China com mais de 1.375 milhões de consumidores apresenta também o mais rápido crescimento do mercado consumidor em todo o mundo. É o maior exportador de mercadorias e o segundo maior importador de mercadorias apresentado um excedente comercial, nos últimos dez anos, em média acima de 5% do seu enorme PIB. Este excedente comercial conduziu a que o Banco Central da China (Banco Popular da China) tenha uma maior quantidade de ativos financeiros no seu inventário do que qualquer outra instituição pública, e só perde para o Sistema de Reserva Federal dos Estados Unidos em termos de ativos totais do banco central. Estes grandes excedentes financeiros permitem um grande investimento no exterior com as principais empresas chinesas ganhando posição e importância tanto nos mercados desenvolvidos como nos mercados dos países em vias de desenvolvimento. O investimento da China na União Europeia atingiu em 2010 os 5,96 mil milhões de dólares. No período compreendido entre 2001 e 2010 os empréstimos chineses do Exim Bank – Banco de Exportação e Importação da China – a África foram maiores do que os empréstimos do Banco Mundial e foram estimados em 67,2 mil milhões de dólares.

A expansão económica chinesa é tão grande, em termos de investimento, que podemos compará-la à expansão dos impérios de antigamente com a diferença que desta vez a conquista é feita através do sistema económico e não do sistema político ou bélico.

É o verdadeira regresso do Império do Meio que se está afirmar no mundo em termos económicos.

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Boguslawa Sardinha

Professora de economia
Nascida na Polónia, doutoramento europeu em economia, investigadora na área de economia social; professora da ESCE/IPS desde 1997.

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