As federações desportivas sofreram na última década um revés dos seus objetivos e das suas preocupações. O aumento de praticantes continua a ser uma preocupação geral, e que no último ciclo apontam para uma “massificação” nas várias modalidades, em detrimento da procura exclusiva do alto rendimento e da performance desportiva. E por quê? Simples: é a base da pirâmide que influenciará o número de atletas de elite!

   

E aqui começa a discórdia…todos os praticantes de uma modalidade, de uma competição desportiva são atletas? Na minha humilde opinião: Não! É certo que fazemos parte de uma determinada comunidade desportiva, de uma modalidade (e atenção: todos fazemos falta!), mas um atleta assume uma postura e um estilo de vida de compromisso na procura da alta performance, muitas vezes em detrimento da sua vida pessoal. Falemos então de praticantes.

   

Na área da náutica, as federações desportivas têm procurado abrir as suas atividades e apostas através dos programas de “Desporto para Todos”, ao abrigo do IPDJ, e com várias vertentes e apostas. A igualdade de género já é uma realidade a nível nacional (e em quase todas as modalidades), a procura do desenvolvimento de praticantes a longo prazo, integrando escalões de veteranos também tem sido um sucesso, e ao nível da integração e inclusão de pessoas com deficiência, estamos a cada vez mais perto da igualdade e excelência perspetivada pelo Comité Paralímpico de Portugal.

   

A Vela, o Remo, as Atividades Subaquáticas, o Surf, entre outras, têm dado o seu contributo e ganho cada vez mais adeptos, praticantes e atletas, com diferentes objetivos e perspetivas, algumas apostando na divulgação da sua modalidade com atividades pontuais sociais, outras englobadas em circuitos competitivos, e até ao nível da formação de treinadores e workshops.

   

A Federação Portuguesa de Canoagem têm apostado nos últimos ao nível competitivo, com presenças internacionais em campeonatos da europa e do mundo, tendo sido a primeira e única federação a nível mundial, a competir com uma atleta com Paralisia Cerebral. Esta ação trouxe à canoagem mundial uma visão de globalidade e inspiração de atletas em todo o mundo (como é o caso do modelo Fernando Fernandes da seleção brasileira), assim como uma maior envolvência de toda a comunidade canoísta numa verdadeira causa: a canoagem para todos!

   

No final do passado mês de Dezembro a FPC iniciou os seus trabalhos com a Equipa Nacional de ParaCanoagem no Centro de Alto Rendimento de Montemor-o-Velho, e onde marcaram presença 4 atletas (2 atletas do Clube Atlético do Montijo – Região de Setúbal). O objetivo é simples: conseguir o apuramento para a participação nos Jogos Paralímpicos do Rio de Janeiro 2016, sendo esta a estreia da ParaCanoagem nos Paralímpicos.

   

Não ficando por aqui, e na tentativa de massificar a prática, a FPC pretende melhorar a formação de treinadores ao nível do desporto adaptado e criar parcerias com outras entidades, através de redes de trabalho colaborativo, nomeadamente com entidades e instituições ligadas à área da deficiência, ao nível da prática desportiva regular, e de cariz social.

   

Os parabéns à atual Direção e staff da FPC, pela aposta!

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Ivo Quendera

Licenciado em Desporto

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