Numa altura em que decorre a consulta pública da Comissão Europeia para a revisão da Estratégia Europa 2020, nas vertentes “emprego” e “combate à pobreza e inclusão social”, torna-se vital entender não só as visões e acções dos eurodeputados, como confrontá-las com as perspetivas dos portugueses.
Assim surgiu o debate “A Europa do Emprego”, que reuniu eurodeputados, cidadãos e parceiros num encontro na FNAC do Chiado, em Lisboa, a 9 de outubro, e que contou com a presença dos eurodeputados Maria João Rodrigues (PS, S&D), Sofia Ribeiro (PSD, PPE), Inês Zuber (PCP, GCEUE/ENV) e António Marinho e Pinto (Independente, ADLE), na 12ª edição da iniciativa Café Europa.

Maria João Rodrigues considerou fundamental que a criação de emprego seja uma das prioridades do próximo Governo, visto que “temos de reverter o processo de empobrecimento da população portuguesa”.

No entanto, vê na taxa de desemprego a ponta do icebergue do desperdício de recursos humanos. De um ponto de vista europeu, reforçou que “é essencial um orçamento” na zona euro, para a área do emprego e de assuntos sociais.

Para Sofia Ribeiro, “são necessárias políticas estruturais fortes e concertadas para debelar o desemprego”, por parte do governo. Relativamente à temática dos estágios, considera que estes não devem ser “diabolizados”, em resposta à ideia de que existe uma utilização abusiva dos estágios, e dos contratos a prazo, defendida por Marinho e Pinto.

As estatísticas lançadas em relação ao desemprego – e à sua respectiva diminuição -, questionadas por um elemento do público, foram abordadas por Inês Zuber, que defende que existe “um aumento do número dos ocupados que, na realidade, deveriam considerar-se desempregados” e que, na vida real, a população portuguesa sente que existe uma “dissonância entre os dados oficiais e a situação das pessoas.

Marinho e Pinto adopta a mesma posição em relação às estatísticas, defendendo que a “diminuição do número de desempregados é uma mistificação.”

Inês Zuber realçou, igualmente, que, desde que Portugal pertence à Zona Euro, “os ajustamentos fizeram-se baixando os salários”, e que é importante impedir a precariedade, enquanto forma de combate ao desemprego.

Marinho e Pinto, que considera que “o Estado não deve submeter-se aos mercados, mas sim regulá-los”, concluiu o debate afirmando que “o direito ao trabalho é um direito humano”.

O Café Europa é uma iniciativa do Espaço Europa – espaço de informação europeia da responsabilidade do Gabinete do Parlamento Europeu e da Representação da Comissão Europeia em Portugal – e da FNAC.

“A Europa dos Cidadãos”, “A Europa da Ciência e Competitividade”, “A Europa da Governação Económica”, “A Europa da Proteção Ambiental”, “A Europa da União Bancária” e a “A Europa da Energia” foram alguns dos temas que já estiveram em debate nas FNAC do Chiado (Lisboa), Coimbra, Norte Shopping (Matosinhos) e Santa Catarina (Porto) e Braga.

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