Com o tempo frio que se tem feito sentir nos últimos dias, surgiram as dores de cabeça e a febre.


E, quem nunca tomou um remédio sem o aconselhamento e ou o acompanhamento de um profissional de saúde? Ou por outro lado, quem nunca pediu opinião a um amigo sobre qual o medicamento para determinadas ocasiões?


É certo que a automedicação pode trazer benefícios quer para o próprio indivíduo, quer para a sociedade em geral, isto é, para o próprio permitindo resolver problemas menores de saúde de forma mais rápida e com menores custos financeiros, já que evita tempos de espera da consulta médica e respectivos encargos financeiros e para a sociedade, aliviando a pressão sobre os serviços de saúde, em especial em períodos de maior afluência às consultas e serviços de urgência hospitalares.


Mas nem sempre assim é. A cultura da automedicação associada à influência do marketing, expõem a pessoa humana a perigos vários.


O uso de medicamentos de forma incorrecta pode levar ao agravamento de uma doença, uma vez que a utilização inadequada pode esconder determinados sintomas, tornando um diagnóstico clínico mais difícil e moroso atrasando a instituição da terapêutica correcta em tempo mais oportuno. Refiro-me, em especial, aos antibióticos. Para estes fármacos a atenção deve ser redobrada, até porque o seu uso abusivo pode facilitar o aparecimento de resistências, comprometendo a sua eficácia na luta bacteriana.


Outra preocupação em relação ao uso da automedicação é a associação de vários fármacos, umas vezes porque os efeitos podem ser diminuídos ou anulados, outras vezes, pelo contrário, podem-se potenciar. Já para não falar em consequências mais graves como reacções alérgicas, dependência e, mesmo, morte.


A automedicação exige uma partilha de responsabilidades a vários níveis.


Por um lado, compete às Autoridades de Saúde garantir que os cidadãos tenham acesso a medicamentos de qualidade, regulando a sua dispensa ao público. Aos Médicos, Enfermeiros e Farmacêuticos, que têm o dever de informar correctamente dos riscos inerentes à automedicação, ensinando os procedimentos mais adequados nas situações mais comuns, contribuindo para uma atitude responsável, eficaz e em segurança. À Indústria Farmacêutica, que desenvolvem e comercializam os medicamentos, e que em simultâneo, devem facultar informação completa e clara sobre os mesmos. E, por fim, ao Consumidor que deve ler com atenção as instruções (bula) bem como respeitar as que foram fornecidas pelos profissionais de saúde.


Atendendo a que a presente crónica é a última do corrente ano, desejo a todos os leitores de “Setúbal na Rede”, Votos de Festas Felizes e 2015 Muito Feliz.

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Luís Cabrita

Médico Pediatra

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