A deposição inadequada de resíduos tem inúmeras consequências, sendo certo que se trata de agressão ambiental colocando em causa a saúde pública.

Quantos de nós já ouvimos a frase “eu pago impostos, eles que limpem” ou “eu já pago muito para recolherem o lixo, eles que separem”? (seja quem for essa entidade designada por “eles”) E quando estas frases são proferidas por pessoas com formação e informadas, algumas até com responsabilidades profissionais relacionadas com o ambiente. Parecem insultos. E são!

São insultos a todos os que cumprem a sua parte. Ou seja, aqueles que contribuem para mitigar a sua pegada ecológica, a todos os que têm 3 ou 4 contentores de lixo na sua casa e que depois os transportam no seu carro para os depositar no ecoponto mais próximo.

Ironicamente, serão também essas pessoas que irão sofrer as consequências dos seus atos, não serão apenas os outros. São essas pessoas que deveriam sentir-se envergonhadas por desrespeitarem os outros cidadãos, o planeta e até as gerações seguintes, os seus filhos e os seus netos. A chatice é que todos iremos sofrer com a irresponsabilidade de alguns.

A deposição inadequada de determinado tipo de resíduos como os comerciais, industriais ou provenientes de unidades de saúde podem infiltrar-se no solo e contaminar a terra (onde crescem legumes e arvores de fruto, por ex.) e lençóis freáticos que abastecem bacias hidrográficas, poluindo a água para consumo humano.

A acumulação de resíduos em terrenos ou armazenados de forma incorreta atraem animais. Os primeiro a aparecer são bactérias e fungos que decompõem a matéria libertando gases que cheiram menos bem. Este cheiro atrai ratos, baratas, insetos que irão proliferar. Estes animais são veículos de febre tifoide, cólera, disenteria… um sem número de doenças e pragas.

Economicamente falando, uma cidade, praia ou local turístico com aspeto sujo não atrai turistas. Quem passeia quer encontrar locais limpos e dignos.

Quanto maior a quantidade de resíduos gerados, maiores serão os custos de limpeza. Recursos que poderiam ser aplicados em saúde, educação ou cultura terão que ser canalizados para limpar o papel que alguém atirou para o chão. Ou para apanhar a beata que um fumador atirou da janela do seu carro.
Não é justo. Não é democrático.

Será necessário implementar coimas? E termos agentes da autoridade, seja ela a que for, a fazer “caça à multa”?
Todos temos que perceber e tomar consciência que a limpeza é uma responsabilidade de todos e as consequências seremos nós, todos, a sofre-las.

“A impunidade é segura quando a cumplicidade é geral.”
– Mariano José Pereira da Fonseca, escritor, filósofo e político.

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Olga Paredes

Engenheira Química, Ambiente e Qualidade
Licenciada em Engenharia Química - Ambiente e Qualidade. Pós-graduação em Gestão de Laboratórios. Mestrado em Análises Químicas Ambientais. Profissionalmente, desempenho funções de coordenadora de departamento de laboratórios. Assumi, durante 2013, o cargo de vereadora do pelouro da sustentabilidade ambiental, a tempo inteiro, na Câmara Municipal do Barreiro. Formadora na área do ambiente, qualidade e química.

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