O ministro Paulo Macedo vai-se afirmando como um sério defensor do SNS, rigoroso no exercício de gestão das contas públicas da saúde. Contudo a evidência, teimosa, contradiz a eloquência do ministro! Na realidade, de 2010 a 1013, a despesa pública/cidadão com a saúde diminuiu 17,4%, tendência que se mantém pelo em 2014 e, se juntarmos a subida do custo de vida, este desinvestimento ascende aos 23%.

Apesar das justificações do despesismo dadas pelo atual executivo, a verdade é que, quando comparada com os países da OCDE, a despesa pública com a saúde em Portugal, por cidadão, é das mais baixas. Conduzindo a que, em média, os portugueses suportem 32% das despesas de saúde do seu bolso quando a média da OCDE é de 28%, gerando graves desigualdades no acesso à saúde.

Menos 942 milhões de Euros, apenas entre 2011 e 2015, assumidos pelo executivo PSD/CDS como corte na despesa pública para a saúde, por determinação deste Governo na pessoa do digníssimo Ministro da Saúde. Por ser insustentável manter o SNS, dizem estes responsáveis estudiosos da matéria, só não explicam como! Nem podem, por não corresponder à verdade dos factos. As palavras contradizem as ações neste governo, ao discurso falta portanto a coerência na “obra feita”.

Dos 2455 trabalhadores que foram expurgados aos hospitais públicos pelo atual governo, muitos são enfermeiros. Por esta via, foi reduzida a capacidade de resposta do SNS e degradadas as condições de trabalho dos profissionais que nele operam, atacando a saúde de utentes e profissionais.

Foi assim retirado às populações o direito a melhores cuidados, (preventivos, curativos e de reabilitação) e ainda, ao próprio SNS, a capacidade de uma gestão mais eficiente, poupando, por exemplo, nos gastos com internamentos optando pelo recurso idóneo e responsável, à continuidade de cuidados em contexto domiciliário.

Os enfermeiros têm lutado por conquistar condições de trabalho que permitam prestar melhores cuidados, argumentando com o facto de que mais enfermeiros nos hospitais e Centros de saúde, traduz-se em melhores condições cuidar desta gente lusitana; reivindicação que teima em ser esquecida pelo Ministro da Saúde, que será sempre lembrada pelos Enfermeiros Portugueses.

Há sempre alternativa, há sempre , há sempre quem não se resigne e mantenha a luta pelo bem comum. Em Agosto, mantendo-se a falta de palavra e reconhecimento por parte deste Governo, os enfermeiros voltarão a afirmar que não toleram a desigualdade e a indignidade.

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Zoraima Prado

Dirigente do Sindicato dos Enfermeiros Portugueses
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