A adolescência é um período de grande desenvolvimento social e emocional para o jovem onde ocorrem mudanças notórias na forma como este interage com a família, amigos e colegas.

Este desenvolvimento difere de pessoa para pessoa. É moldado pela combinação única dos genes, pelo desenvolvimento cerebral, pelo ambiente, pelas experiências vividas, pela comunidade e cultura.

No fundo, as mudanças sociais e emocionais que ocorrem durante a adolescência são a expressão de que o jovem está a formar uma identidade independente e a aprender a ser um adulto.

As mudanças sociais

– Procura de identidade: os jovens passam grande parte do tempo a reflectir e procurar sobre quem são e onde encaixam no mundo. Esta procura pode ser influenciada pelo seu género, grupo de pares, cultura e mesmo pelas expectativas da família.

– Procura de maior independência : esta procura é susceptível de influenciar as decisões que o jovem toma e as relações que desenvolve com a família e amigos.

– Procura de maior responsabilidade, tanto em casa como na escola.

– Procura de novas experiências: a natureza do desenvolvimento do cérebro adolescente influencia a forma como os adolescentes são propensos a procurar novas experiências e a envolver-se em comportamentos de maior risco. Durante este período ainda estão a desenvolver o controlo sobre os seus impulsos.

– Maior reflexão sobre o que é “certo” e “errado”: o jovem vai começar a desenvolver um conjunto de valores e de moralidade mais forte bem como aprender a ser responsável pelas suas próprias acções, decisões e consequências. Questionam mais as coisas.

– Maior influência do grupo de pares: especialmente em relação a comportamentos, atitudes e auto-estima.

– Desenvolvimento e exploração da identidade sexual: O jovem pode começar a envolver-se em relações românticas. No entanto, não são necessariamente relações íntimas. Para alguns jovens as relações íntimas ou sexuais ocorrem mais tarde na vida.

– Diversificação nas formas de comunicação: internet, telemóveis, redes sociais podem influenciar significativamente a forma como o jovem comunica com os amigos e aprende sobre o mundo.

As mudanças emocionais

– Maior intensidade emocional: Os jovens começam a experienciar sentimentos mais fortes e emoções mais intensas em momentos diferentes. O seu humor pode parecer imprevisível e neste sentido, os “altos e baixos” emocionais podem conduzir ao aumento de conflitos. O cérebro do jovem ainda está a aprender a controlar e expressar emoções com mais maturidade.

– Maior auto-consciência, sobretudo sobre a aparência física e sobre as mudanças inerentes à puberdade. Durante este período a auto-estima é fortemente influenciada pela aparência (ou pela forma como o jovem se percepciona a si próprio).

– Fase de maior impulsividade em que o jovem pensa e age como se não existissem consequências para os seus actos. A capacidade de tomada de decisão ainda está em desenvolvimento e portanto o jovem ainda está a aprender a pensar sobre as consequências dos actos.

Muitas pessoas pensam que a adolescência é sempre um momento difícil e que todos os adolescentes passam por uma fase rebelde e se comportam de formas desafiadoras. Contudo apenas uma pequena porção de jovens passa por um período de turbulência emocional extrema. As mudanças sociais e emocionais são parte da viagem do jovem para a vida adulta e nesse sentido os pais e a escola têm um papel fundamental a desempenhar no desenvolvimento destas competências.


As Mudanças nos relacionamentos

As relações do jovem com a família e os amigos são vitais para um desenvolvimento social e emocional saudável. Os pais tendem a influenciar as decisões do jovem a longo prazo, como a escolha de um percurso profissional, valores e costumes. Por outro lado, os amigos são mais susceptíveis de influenciar as escolhas a curto prazo, tais como a aparência e os interesses.

Durante este período as relações sofrem grandes mudanças e passam sobretudo pelo facto de o jovem procurar passar menos tempo com a família e mais tempo com o seu grupo de pares. Os conflitos entre pais e filhos são normais de surgirem e atingem o pico durante esta fase uma vez que o jovem procura a conquista da sua independência. Apesar disso, estes conflitos não são susceptíveis de afectar o relacionamento entre pais e filhos, a longo prazo. Outra mudança prende-se com o facto de o jovem ver as coisas de forma diferente que o adulto. Isto porque começa a pensar de uma forma mais abstracta e a questionar pontos de vista diferentes.

Os pais podem apoiar o desenvolvimento social e emocional do jovem e esse apoio pode passar por diversos pontos: Ser um modelo para a formação e manutenção de relações positivas; conhecer os amigos do jovem; ouvir os seus sentimentos procurando entender a sua perspectiva mesmo quando esta é diferente; promover modelos positivos e construtivos de relacionamentos com outras pessoas; ser um modelo positivo na forma de lidar com emoções difíceis; conversar com o jovem sobre relacionamentos, sexo e sexualidade. É importante corrigir qualquer desinformação e dar os factos reais. Este diálogo pode ser visto como uma oportunidade para reflectir sobre o comportamento e os valores sexuais de forma adequada. Por fim, investir em tempo de qualidade com o jovem procurando conhecer os seus interesses, gostos e pontos de vista.

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Joana Vilar