O FMI, o BCE, a UE e os Governantes Do Mundo, reconhecem que é necessário colocar alguma moderação quanto aos procedimentos a aplicar ás dívidas dos países mais pobres ou em dificuldades, oferecendo condições financeiras que permitam a adoção de programas mais abrangentes, por forma a que haja desenvolvimento e crescimento económico.

Por isso, está na altura do FMI e do Banco Mundial repensarem as suas estratégias de desenvolvimento e de anunciarem novos programas para ajudar a reduzir o peso das dívidas dos chamados países pobres e dos países altamente endividados, enfatizando os problemas sociais.

É verdade que não tem existido nenhuma estratégia realista para reduzir as dívidas impagáveis no que respeita às importâncias colocadas á disposição dos países em dificuldades financeiras, ignorando-se, totalmente, as palavras coesão e solidariedade, que são palavras importantes e fortes dos tratados da UE e constituem os seus princípios fundadores.

No caso da Europa, não só não foi encontrada resposta “europeia” aceitável, como foi uma desilusão a credibilidade dos dirigentes, que se esqueceram de levar em conta a realidade de cada um dos países que tiveram de recorrer a empréstimos, empurrando-os para a austeridade, para a crise e para a pobreza.

É, por isso, que é preciso mudar o funcionamento da União Europeia, pois os desafios que temos pela frente e a falta de propostas em defesa da justiça global e do desenvolvimento económico não nos deixam manter a esperança numa direcção promissora para se vencer a crise.

Estamos a chegar à hora da verdade e a necessitar da reposição dos valores nos homens da governação e da justiça europeia, no interesse geral dos países que dela fazem parte e para bem das futuras gerações.

Nos círculos políticos há um sentimento de derrota, apesar de poucos questionarem o sistema “capitalista/mercados” existente. É certo que, confrontados com a crise, a austeridade e o desemprego, todos concordam com a necessidade de algumas reformas, estimulando a economia e restaurando os fluxos de capitais.

Embora as perspetivas de crescimento sejam pouco promissoras, sente-se que o pior já passou para as economias europeias. Depois de todos os esforços, resta ainda saber se as economias conseguirão recuperar totalmente. A resposta parece-me um sim, se com isso se entender um retorno ao crescimento.

Uma coisa é certa, a crise revelou os perigos do capitalismo de amigalhaços e, apesar do reforço das tendências democráticas, continua a correr-se o risco de complacência e esquecimento das precauções necessárias.

Há que continuar a apostar nas políticas económicas, no investimento e na qualificação dos trabalhadores. O que está em causa não são as estruturas empresariais, que podem sempre ser alteradas. O que está em causa é a sua orientação exportadora. Já no caso do sector bancário, a reestruturação é fundamental para aumentar a transparência e a compatibilidade entre instituições.

Redistribuição da riqueza e solidariedade financeira são ingredientes indispensáveis para um desenvolvimento coerente e harmonioso na Europa. A intervenção do Estado na proteção social, dentro do contexto europeu, é imprescindível.

Fotografia de Images_of_Money

The following two tabs change content below.

António Alves

Presidente do Banco Alimentar Contra a Fome de Setúbal
Foi Membro da Direção do Clube Naval Setubalense, da Direcção da ANEE-Ass Nacional das Empresas Operadoras Portuárias, da Direcção Nacional dos Agentes de Navegação do Centro de Portugal. Foi também Presidente do Centro Coordenador do Trabalho Portuário de Setúbal, do Conselho Geral do Hospital do Barreiro, da Direcção do Club Setubalense, da Assembleia Geral do Club Setubalense e da Academia de Música e Belas Artes Luisa Todi. Para além disso, foi Vice Presidente da Liga dos Amigos do Fórum Luisa Todi e Presidente da Assembleia Geral do Vitória Futebol Clube-SAD, bem como Vice-Provedor da Santa Casa da Misericórdia de Setúbal. Atualmente é reformado.

Últimos textos de António Alves (ver todos)