A ocorrência de vírus da gripe das aves, como a influenza do tipo A, é comum entre aves aquáticas nos meios naturais. Estas aves aquáticas podem infetar as aves domésticas e outras espécies de aves e animais. As aves aquáticas selvagens podem ser portadoras e estar infetadas com o vírus das aves influenza A nos seus intestinos ou no trato respiratório, e não manifestar sinais da doença.

Este tipo de vírus é muito contagioso para as aves, em geral, e principalmente para as aves domésticas, podendo faze-las adoecer e mesmo matar em alguns casos, como galinhas, patos e perus.



As aves infetadas podem verter excreções do vírus da gripe através das secreções da saliva, secreções nasais e das fezes. Podem também ficar infetadas como resultado do contacto com superfícies contaminadas com o vírus de aves infetadas.


O vírus influenza das aves tipo A pode ser classificado em duas categorias de acordo com a sua patogenicidade em vírus da gripe aviária de baixa patogenicidade (principalmente o H7N9, H7N2, H7N3, e H7N7) de elevada patogenicidade (H5N1). Existem outras estirpes do vírus com elevada patogenicidade como a H5N2, H5N6, H5N8, H5N9 para além da H5N1. As diversas estirpes surgem como modificações do vírus em diferentes locais do mundo onde foram detetados. A estirpe mais recente é a H7N9, tendo sido detetada no homem apenas em 2013. As infeções das aves domésticas com o vírus de baixa patogenicidade podem nem causar doença efetiva ou a doença apresentar apenas alguns sintomas (como alteração do estado das penas e quebra na produção de ovos) e em alguns casos pode mesmo não ser detetado. As infeções com estirpes do vírus com elevada patogenicidade podem causar doenças graves e elevada mortalidade. Ambos podem espalhar-se através de bandos de aves ou quando as aves são criadas em aviários. Os patos, por exemplo, podem estar infetados sem apresentarem manifestações da doença. Não existem casos reportados de que o vírus se transmita diretamente das aves ao homem mas existem casos em que estes vírus também infetam o homem. A propagação destes vírus entre humanos é menor do que nas aves e pode ser prevenida com o uso de máscaras respiratórios, lavagem das mãos e cuidados com a alimentação por contacto na manipulação de animais infetados. Grande parte dos vírus isolados de aves selvagens representa vírus de baixa patogenicidade. A maioria das aves selvagens em que foram detetados o vírus das aves inclui gaivotas, andorinhas, aves marinhas ou aves aquáticas como patos, gansos, ou cisnes. A virulência das estirpes pode ser modificada devido à ocorrência de mutações que torna mais complexa a sua contenção. Mesmo existindo vacinas específicas para o controlo do H5N1, e alguns medicamentos específicos para algumas estirpes de vírus, a sua eficácia pode ser limitada devido à falta de especificidade quando ocorrem mutações do vírus.


Várias organizações internacionais, como World Health Organization (WHO), World Organization for Animal Health e a Food and Agriculture Organization (FAO), fazem a monitorização, por questões de rotina, do vírus da gripe das aves para evitar potenciais impactos na saúde pública e nos animais.


Quando o vírus da gripe das aves afeta o homem produz sintomas semelhantes ao de uma pneumonia. Existem casos reportados de que algumas pessoas com sintomas de infeção conseguem recuperar sem qualquer assistência médica. Os sintomas associados à infeção pelo vírus da gripe das aves são febre, falta de ar, tosse e conjuntivite não só no homem como nos animais infetados.

É importante ter em consideração os potenciais impactos da dispersão do vírus de baixa patogenicidade H5 e H7 poderem evoluir para estirpes virais de elevada patogenicidade, o potencial de rápida dispersão e dificuldade de contenção dos focos infetados e que podem espalhar a contaminação, principalmente entre os animais domésticos, para além dos impactos económicos e no comércio que dai possam resultar. A dispersão da contaminação de aves infetadas pode ocorrer não só na zona de produção mas também no processo de abate e a comercialização ao público propriamente dita, como por exemplo em feiras e mercados de vendas de aves. Deve tomar-se precauções nestes locais e evitar o contacto direto. Se houver suspeita de infeção pelo vírus de algum animal, deve evitar-se a sua comercialização. No entanto, o vírus torna-se inativo nas temperaturas utilizadas para cozinhar os produtos de carne e derivados como os ovos. Pode dizer-se que acima dos 70ºC e garantindo que o produto de carne está bem cozinhado, pode assegurar-se que o potencial de transmissão é reduzido. O consumo de produtos derivados de aves mal cozinhados deve ser evitado, sempre que haja dúvidas sobre a origem do produto ou da garantia da sua qualidade.


Fotografia de capa por Ү

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Ricardo Salgado

Coordenador do curso de Engenharia do Ambiente
Docente e coordenador do curso de Licenciatura em Engenharia do Ambiente da ESTSetúbal; Investigador na área do Ambiente, em particular no tratamento de águas residuais.

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