A fome e a subnutrição são inimigos do desenvolvimento humano e podem causar instabilidade e conflitos, refletindo-se não só na qualidade de vida das pessoas mas também nas perspetivas de desenvolvimento das sociedades e no potencial de crescimento dos seus países. Encontrar alimentos a preços comportáveis, que promovam a saúde e a boa nutrição, para uma população mundial em crescimento, permanece um grande desafio internacional.

O direito à alimentação é reconhecido como um direito universal. Foi pela primeira vez reconhecido na Declaração Universal dos Direitos Humanos em 1948 e tem sido progressivamente fortalecido no âmbito de diversos acordos e eventos internacionais.

A exposição das populações a desastres naturais, exacerbados pelas alterações climáticas, é uma das principais causas da insegurança alimentar, sendo também resultado direto de conflitos violentos ou instabilidade política.

A ligação entre o comércio internacional e segurança alimentar é complexa e condicionada pelas especificidades dos contextos regionais. O comércio internacional e as políticas de importação e exportação afetam a disponibilidade e o preço dos produtos alimentares e, desta forma, condicionam a capacidade dos mais pobres em aceder aos alimentos.

A volatilidade dos preços internacionais dos alimentos é um fator importante para os países em desenvolvimento, em boa parte exportadores de matérias-primas alimentares (como o chá, o café, o cacau, entre outros), como demonstrou a crise de 2008-9. As grandes desigualdades mundiais na redistribuição da riqueza e o facto que a alimentação mundial estar ligada a interesses do sector da distribuição, do agroalimentar e do agroquímico, contribuem para agravar a situação.

Sabemos hoje que o crescimento económico não é, por si só, suficiente para acelerar a redução da fome e da desnutrição nos países. Assim, e uma vez que uma importante parte da população mundial vive em meio rural, as comunidades rurais têm uma relevância particular no processo de combate à insegurança alimentar e nutricional. Os pequenos agricultores e a agricultura familiar assumem particular importância neste processo; o crescimento agrícola, com a participação de pequenos agricultores, especialmente as mulheres, será mais eficaz para reduzir a pobreza extrema e a fome e, possivelmente, aumentar os rendimentos dos trabalhadores e criar empregos para os pobres.

Entre os elementos chave para um ambiente adequado à redução da fome e da má nutrição no mundo figuram o fornecimento de bens e serviços públicos para o desenvolvimento de setores produtivos, o acesso equitativo aos recursos pelos pobres, empoderamento das mulheres e a implementação de sistemas de proteção social.

É preciso agir porque a contradição parece evidente: estamos no mundo onde 1 em cada 8 pessoas passa fome, mas onde cerca de 1/3 dos alimentos são desperdiçados!

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