No dia 14 de dezembro, das 16 horas e 30 minutos às 19 horas e 30 minutos, estive na capela da Santa Casa da Misericórdia de Alhos Vedros a assistir à cerimónia de lançamento do livro do meu amigo e ex-colega Doutor António Gonçalves Ventura intitulado “Alhos Vedros. Economia, Administração e Demografia. Sécs. XIV-XVIII” (Moita, Câmara Municipal, 409 pp.).

   

A iniciativa inseriu-se no âmbito do programa das comemorações dos quinhentos anos do foral manuelino e do “Programa de Apoio à Investigação e Divulgação Moita Património”, lançado pela Câmara Municipal da Moita.

   

O Doutor António Gonçalves Ventura nasceu no concelho de Santiago do Cacém, no ano de 1949, reside no Barreiro, e, no campo profissional, é professor aposentado.

   

Este livro aproveita dois trabalhos anteriores do Autor. A dissertação de Mestrado em História Regional e Local intitulada “Dinamismos Económicos Regionais. A Margem Esquerda do Estuário do Tejo nos séculos XV e XVI” (237 fls.), apresentada à Faculdade de Letras da Universidade [Clássica] de Lisboa, no ano 2000 e a tese de Doutoramento intitulada “A ‘Banda d’Além'” e a cidade de Lisboa durante o Antigo Regime: uma perspetiva de História Económica Regional Comparada” (533 fls.), apresentada à mesma Faculdade, no ano de 2007, sob a orientação do Professor Doutor António Augusto Marques de Almeida e hoje disponível “on-line”.

   

A sala estava repleta, com assistentes de pé. Entre os componentes da mesa, contava-se o orientador da tese de Doutoramento. Entre os assistentes, vi alguns interessados na História Regional e Local: o Dr. José Vargas (de Lisboa), Eduardo Martins e Joaquim Baldrico (de Montijo), e Aníbal de Sousa e o Dr. José Cabrita (de Pinhal Novo).

   
Como geralmente acontece neste tipo de eventos, seguiu-se esta sequência: apresentação do Autor e da obra, intervenção deste a explicar o aparecimento da mesma e a sua distribuição (aqui gratuita) autografada.

   

Um parenteses para os menos avisados: o livro agora apresentado não substitui os dois trabalhos académicos anteriores do Autor, que possuem um âmbito espacial mais vasto, e, como tal, neste ponto, se revelam insubstituíveis.

   

Em relação à obra, em si, como historiador regional e local parece-me tratar-se de um trabalho monumental, que, pela vastidão e rigor da investigação e pela capacidade crítica e de enquadramento do Autor, é, seguramente, do melhor que tem sido produzido na margem sul do estuário do Tejo no pós-25 de Abril de 1974, passando a ser, por muitos anos, a grande referência obrigatória para a História Económica regional.

   

Nestes termos, cumpre-me endereçar os parabéns ao Autor e à editora (Câmara Municipal da Moita), pela iniciativa da divulgação da obra e pela luxuosa edição com que nos presenteou.

   

Um reparo final. A Câmara Municipal da Moita não pagou um cêntimo ao Autor pelo seu trabalho e nem sequer se colocou tal questão, pois aquele concorreu a um concurso aberto pela autarquia, com vista ao aparecimento de trabalhos inéditos.

   

Não tenho notícia de o município da Moita alguma vez ter pago qualquer trabalho de investigação sobre o concelho, na área da História. Como outros da margem sul, “patrocina publicações”. Quando aos custos de produção dos livros, cada vez mais dispendiosos, os autores, se quiserem, que os paguem.

   

Na minha opinião, trata-se de uma filosofia e de uma prática política no mínimo cada vez mais discutíveis, as quais, felizmente, já vão dando sinais de mudança, uma vez ou outra, nalgumas outras câmaras da região.

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Mário Balseiro Dias

Professor
Mário João Balseiro Dias nasceu em Vale Porrim, próximo de Atalaia, no concelho de Montijo, em 28 de dezembro de 1958. Atualmente, reside em Setúbal. Licenciou-se em Ciências Jurídico-Políticas na Faculdade de Direito da Universidade Clássica de Lisboa. É Mestre em História Regional e Local pela Faculdade de Letras da mesma universidade, com a classificação máxima, atribuída por unanimidade: Muito Bom. Profissionalmente, exerce a docência na Escola Secundária c/ 3.o Ciclo Poeta Joaquim Serra, em Montijo.

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