Como imagens televisivas recentemente divulgaram, a violência entre os jovens, grassa a passos largos para a construção duma sociedade mais violenta, menos tolerante e mais embutida de valores intrinsecamente miseráveis.

Há aqui uma ideia que enquanto gestora do gabinete de Apoio á vítima de Setúbal da APAV, já havia há 10 anos que não fazia sentido: a violência no namoro era normal e consistia em fazer transparecer carinho. Os jovens iludiam-se e faziam da sua relação e do seu registo, uma forma banal de vida.

Como dar volta ao assunto? Investindo nas camadas mais novas e nos jovens, ou seja, na educação, nas escolas, nas universidades, nos meios lúdicos frequentados por jovens, nas ruas através de animações, enfim, em torno da vida saudável e respeitadora dos valores mais básicos que são a dignidade humana. Mostrar ao mais novos, que se conheceram modelos anteriores de violência social, psicológica ou física, isso não significa que sejam eles a perpetuar esses mesmos caminhos. Pode-se mudar a qualquer momento. È uma questão de atitude e de uma das partes dizer “- Pára!”.

Há outras maneiras de viver que não passam pela violência, mas sim pelo diálogo, até entre gerações, coisa muito importante e que eu sempre defendi como inquestionável.

Ainda há pouco tempo, estive na Escola Lima de Freitas, para assistir a um evento sobre a violência e a sala estava cheia. O assunto interessa aos jovens como, não um fait-divers, mas como algo de substancial, algo que os leva a outras reflexões, até mesmo sobre si próprios. Vêem-se obrigados a questionar-se e a questionar situações onde já se viram “encurralados” pelo torvelinho das emoções. È bom que assim seja.

Que estas iniciativas não terminem e que não passem duma moda, porque há quem não desista.Fotografia de nist6ss

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Conceição Pereira

Antropóloga e professora desempregada
Cidadã solidária para com a sociedade.

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