Desde o passado dia 15 que os “sacos leves”, que se encontravam disponíveis nos supermercados, passaram a ser taxados, no âmbito da reforma da fiscalidade verde. Estes sacos, com uma espessura igual ou inferior a 50 microns, praticamente desapareceram das principais cadeias de supermercados, tendo sido substituídos por sacos reutilizáveis.


Os sacos leves, supostamente biodegradáveis, eram utilizados pelos clientes para transporte de compras, tendo depois como destino mais provável, o acondicionamento de lixo, depois depositado em aterros sanitários ou libertado nos meios aquáticos (rios e mar). O seu tempo de vida útil aproximava-se a 25 minutos.


Porém, estes sacos biodegradáveis, depois de utilizados e “dispensados” no meio ambiente, fragmentam-se em partículas muito pequenas e só nessa altura se inicia o processo de biodegradação que ocorre muito lentamente. Entretanto, essas pequenas partículas irão servir de alimento a insetos, peixes, aves e outros animais. Isto significa que estes plásticos entram na cadeia alimentar constituindo um perigo para as espécies que ingerem essas partículas, mas não as digerem.


Precisamente porque os sacos leves começaram a ser taxados, os supermercados disponibilizam agora sacos mais resistentes, com uma gramagem superior, não abrangidos pela taxa, e reutilizáveis, mas pagos. Quer se queira quer não, irá existir uma redução na produção de resíduos deste tipo, implicando a futura redução de resíduos e de problemas ambientais relacionados com os sacos leves, sendo certo que ainda é cedo para se fazer um balanço. Existem outras opções para os consumidores, como os “velhos” trolleys de compras utilizados no tempo dos nossos pais, sacos de ráfia que têm um maior tempo médio de vida útil, ou sacos de pano.


Segundo as estatísticas, cada português utilizava cerca de 466 sacos de plástico por ano. Estima-se agora que o consumo de sacos de plástico baixe para 50. É uma estimativa otimista, mas é minha convicção que a questão passa pela alteração de hábitos dos cidadãos. No início irão esquecer-se dos sacos reutilizáveis em casa ou no carro, mas com o passar do tempo irão voltar a sair com o saco das compras na mão ou até com o “velhinho” trolley.


O Programa das Nações Unidas para o Ambiente e a Conservação dos Oceanos salienta que 80% da poluição marinha é causada pela libertação de resíduos plásticos, nomeadamente sacos e garrafas que levam séculos a degradarem-se. Acrescenta que 95% das espécies de aves aquáticas que vivem ou sobrevoam o Hemisfério Norte apresentam vestígios de plástico nos seus estômagos.


A questão dos resíduos é, principalmente, um problema comportamental que deve ser abordado pela mudança de atitudes dos cidadãos ao invés da alteração dos produtos que são deitados fora. O desenvolvimento de produtos biodegradáveis pode piorar o problema da produção de residuos, pois pode induzir à ideia de que não tem importância deitar fora recursos com valor como o plástico.


A melhor maneira de contribuir para salvar o planeta é poupar energia e desenvolver meios de reciclar, reutilizar e recuperar todo o plástico.

Fotografia de capa por jeffdjevdet

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Olga Paredes

Engenheira Química, Ambiente e Qualidade
Licenciada em Engenharia Química - Ambiente e Qualidade. Pós-graduação em Gestão de Laboratórios. Mestrado em Análises Químicas Ambientais. Profissionalmente, desempenho funções de coordenadora de departamento de laboratórios. Assumi, durante 2013, o cargo de vereadora do pelouro da sustentabilidade ambiental, a tempo inteiro, na Câmara Municipal do Barreiro. Formadora na área do ambiente, qualidade e química.

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