Vivemos um verão quente. Um tempo de crispação e radicalização, entre forças opostas, ideias e objetivos de vida. Entre tempos solidários e desejos gananciosos, individuais ou privados. Há pouco espaço para o meio-termo e não podemos ser ou ficar imunes, neutrais ou imparciais perante os factos. Há uma guerra aberta, independentemente das nossas vontades, há feridas e destruição. O alvo são os povos, a educação e a cultura. Em suma, os fatores de progresso e emancipação social e coletiva.
O movimento Cultura em Luta elegeu o mês de junho para a realização de uma campanha nacional, com iniciativas que procuram alertar a população em geral para a grave situação que se vive no setor.
Direitos dos cidadãos, a criação e fruição da Cultura são alvo de verdadeiro ataque através de condicionamentos orçamentais, do corte de financiamento a estruturas e projetos artísticos. O resultado é o encerramento da atividade de estruturas com trabalho feito e provas dadas. O resultado é a morte de estruturas com 20 ou mais anos de atividade. O resultado é o desaparecimento e o condicionamento de projetos artísticos, o que é o mesmo que dizer de pensamento.
Direito fundamental dos cidadãos, o Património e os Arquivos, a Memória e a História são alvo das políticas governamentais de constrangimento e limitação de acessos generalizado. Sem investimento confrontam-se com barreiras e dificuldades para manter e preservar atividade regular, a manutenção e atualização de coleções e espólios.
Direito inalienável dos cidadãos, as bibliotecas e a Língua sofrem com a redução da sua capacidade para manter o serviço público essencial, bem como veem feridas as suas funções identitárias.
O tempo de fechar este ciclo de morte é hoje! Exige-se a mudança de políticas para a cultura. Uma nova política para a cultura, que promova o investimento. Romper com a narrativa do inevitável e o discurso do “não há dinheiro”. Uma nova política para a cultura, que incentive e apoie os criadores artísticos e os trabalhadores da cultura, em geral. Estes são os fatores que podem contribuir para o progresso social, a solidariedade e a coesão.

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Fernando Casaca

Diretor artístico do Teatro do Elefante
Fernando Casaca, diretor artístico do Teatro do Elefante, é mestre em Estudos de Teatro e dedica-se ao fabrico artesanal do teatro para todas as idades. Desenvolve projetos teatrais dando especial ênfase ao texto e à narrativa, sem esquecer que com as mãos, os pés e os sentidos se fazem os mundos e as histórias. Não rejeita a utilização das tecnologias e do audiovisual, quando as consegue manter ao alcance do olhar humano. Os temas que mais e melhor abraça no seu trabalho artístico são as viagens, o mar e o universo fantástico da História, incluindo as lendas e as invenções.

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