Há pouco tempo assistimos ao início de mais uma Primavera. Para a maioria das pessoas é uma época desejada. Chegam as andorinhas, os dias tornam-se mais agradáveis, aumenta o número de horas de sol, os campos cobrem-se de flores e aguarda-se o aumento da temperatura ambiente que propicia actividades ao ar livre, tão benéficas para a saúde.


Mas, se isto é verdade para a maioria das pessoas, para outras corresponde à chegada de um autêntico tormento: os olhos lacrimejam; as crises de espirros alternam com o incómodo “pingo” no nariz e, normalmente, até existem momentos de total entupimento nasal; outras vezes, ou em simultâneo, prurido nasal, nos olhos, nos ouvidos; muitas vezes intolerância à luz solar, o que origina um quadro de grande incomodidade geral, que no seu conjunto comprometem as actividades da vida diária. E, por vezes, a situação ainda é mais grave, quando surgem situações de crises de falta de ar, muitas vezes obrigando ao recurso dos serviços de urgências hospitalares.
Habitualmente o que origina as alergias de primavera são os pólens. Entre nós a principal causa destas alergias são as gramíneas (fenos), muito frequentes na Primavera, atingindo o seu pico máximo, normalmente, durante os meses de Maio e de Junho.


Mas, nem sempre assim acontece, porque as variáveis meteorológicas influenciam as concentrações polínicas. A ocorrência de chuva (imediatamente antes da época polínica) condiciona fortes concentrações de pólens quando a precipitação se interrompe, com os dias quentes e ventosos de Primavera; pelo contrário, num ano seco espera-se uma concentração de pólens menos intensa, sobretudo das plantas mais sensíveis à falta de água, como as gramíneas.


A alergia aos pólens é uma causa frequente de manifestações alérgicas, que podem ser do aparelho respiratório (asma e rinite), dos olhos (conjuntivite) ou da pele (urticária e eczema).


A alergia aos pólens, pela sua importância e gravidade potencial, deve ser tratada. E para o tratamento há recursos muito eficazes. Porém, o sucesso do controle desta enfermidade passa, também, por uma actuação correcta face aos pólens, praticando medidas simples de prevenção, tais como, usar óculos de protecção; permanecer no interior de uma habitação quando o vento sopra com maior intensidade; arejar a habitação após o pôr-do-sol aproveitando a maior humidade da atmosfera; evitar ter em casa plantas polinizadoras; ao viajar de automóvel ter o cuidado de manter bem fechadas as janelas; se possível, passar os tempos livres à beira-mar e, por fim, não permanecer nos relvados e afastar-se dos que estão a ser tratados. O corte da relva origina uma intensa libertação dos pólens dessas gramíneas.


O cumprimento destas medidas contribui para um melhor controlo da alergia dos pólens, constituindo um excelente auxiliar da medicação. Permite, assim, apreciar com mais saúde e tranquilidade a beleza da natureza.

The following two tabs change content below.

Luís Cabrita

Médico Pediatra

Últimos textos de Luís Cabrita (ver todos)