Desde a Idade Média, que a paixão Portuguesa pelos Oceanos e pelas Ciências Náuticas trouxe descobertas inovadoras que contribuíram para a ligação da Europa com o resto do mundo. Durante a minha visita a Portugal, apercebi-me de que os descendentes dos grandes cientistas medievais, como Pedro Nunes e Abraão Zacuto, são igualmente ambiciosos no que toca a servirem de ponte para o mundo. Só que, desta vez, eles estão a usar energias hidráulicas e um porto de gás natural liquefeito (GNL). Nós estamos no amanhecer de uma nova “Era dos Descobrimentos”.

Talvez esteja a interrogar-se sobre qual poderá ser o contributo energético de um país do tamanho de Portugal para o resto da Europa. Quando se trata da União da Energia, Portugal é – nada mais, nada menos – que um importante polo internacional. Graças aos seus abundantes recursos de energias renováveis, ao seu porto de GNL no Atlântico e aos fortes laços que tem com os países Lusófonos (onde metade das descobertas marítimas são feitas), Portugal é uma importante ponte energética entre a Europa e o resto do mundo. De facto, assim que esteja corretamente ligada ao resto do continente, a Península Ibérica poderá fornecer tanto gás natural à Europa, como o que é atualmente comprado à Rússia!

Mas, acima de tudo, o potencial energético Português vem de uma forte vontade política. O seu parlamento é altamente ambicioso sobre a transição energética do país e acerca do papel central que isso poderá representar dentro da União da Energia. Nós concordamos que, no dia em que o vento soprar do Oceano Atlântico, Portugal poderá oferecer uma energia mais limpa e económica a todo o continente. Claro que, para isso acontecer, nós temos de garantir uma melhor interligação de infraestruturas que começa em Portugal, passa por Espanha e que vai para França e para o resto da Europa. O meu colega Comissário Arias Cañete já alcançou grandes progressos nesta área, mas não devemos parar até que todos os objetivos de interligação propostos pelo Comissário sejam atingidos.

Fiquei fascinado na minha visita a Portugal, não só com a ambição Portuguesa de desempenhar o seu papel na União da Energia, mas também com o seu profundo conhecimento e compreensão sobre este tema.

A estratégia para uma União da Energia assegura que a Europa terá energia segura, económica e que respeita o ambiente. Um uso de energia mais inteligente é, não só um estímulo para novos empregos e crescimento, como um investimento no nosso futuro, colocando a Europa na vanguarda da produção de energias renováveis e da luta contra o aquecimento global. Do mesmo modo, também procuramos dar mais poder aos consumidores, como por exemplo, com o novo rótulo único de eficiência energética proposto pela Comissão Europeia este mês.

Estamos no bom caminho, rumo aos objetivos energéticos e climáticos que traçámos para 2020. Entre 1990 e 2012, as emissões de gases com efeito de estufa da UE diminuíram 18% (perto do objetivo de 20%) e a energia obtida a partir de fontes renováveis passou de 8,5 % em 2005 para 14,1 % em 2012 (objetivo de 20%). Continuar envolve-nos a todos.

Acompanhe a estratégia da União da Energia e os próximos passos em: http://ec.europa.eu/priorities/energy-union/index_en.htm

Fotografia de Soroll

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Maroš Šefčovič

Vice-Presidente da Comissão Europeia, responsável pela União da Energia

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