Para uma grande percentagem de alunos o ano letivo termina com a época de exames. Depois de longos meses preenchidos com o rodopio das aulas, das avaliações formais, eis que chega o momento que faz “tremer” qualquer aluno, e muitas vezes o ambiente familiar. São as insónias, as faltas de apetite, as “dores de barriga”, enfim, alterações de humor que surgem, muitas das vezes de uma forma crescente.
É claro que há inúmeras formas como os alunos reagem à avaliação do aproveitamento dos conhecimentos obtidos anteriormente. De um modo geral, qualquer médico que acompanhe jovens, tem a noção que, com a aproximação das provas finais, repetidamente é pedido, normalmente através dos pais, uma indicação, uma receita de um estimulante, para rapidamente “ajudar” a melhorar a memória do aluno.
De um momento para o outro gera-se a necessidade de aumentar a capacidade de memória para que o jovem passe a fixar na sua mente toda a matéria passível de ser questionada nos exames. Como se uma droga milagrosa substituísse todos os preceitos indicados para a retenção dos conhecimentos de uma forma consolidada.
Um sistema educativo tem como objetivo principal a formação dos seus alunos, por meio da compreensão e a aquisição de novos conhecimentos. Os diversos níveis de ensino obrigam à aprendizagem de um número considerável de novas informações e a sua posterior recordação, seja no decorrer das aulas, seja na realização de exames. Estas fases de aprendizagem e recordação estão diretamente relacionadas com a memória humana, com os processos de aquisição, retenção e recuperação de conhecimento.
A memória humana é uma componente fundamental nas tarefas de compreensão verbal e escrita, no cálculo e raciocínio.
A memória é uma faculdade cognitiva extremamente importante porque forma a base para a aprendizagem. Se não houvesse uma forma de armazenamento mental de representações do passado, não teríamos uma solução para tirar proveito da experiência. Assim, a memória envolve um complexo mecanismo que abrange o arquivo e a recuperação de experiências, portanto intimamente associada à aprendizagem, que é a habilidade de mudarmos o nosso comportamento através de experiências que foram armazenadas na memória; por outras palavras, a aprendizagem é a aquisição de novos conhecimentos e a memória é a retenção dos conhecimentos adquiridos.
Existem diferentes tipos de memória:
Memória ultra-rápida (ou imediata), cuja retenção não dura mais que alguns segundos. Os factos conhecidos após uma fração de tempo são completamente esquecidos, não deixando “traços”.
Memória de curto prazo (ou curta duração), dura de alguns minutos a horas. Neste caso há formação de “traços”, cujo período se chama “Período de consolidação”.
Memória de longo prazo (ou de longa duração). É a memória com a duração de dias, meses e anos. É a memória que é exigida aos alunos na avaliação dos conhecimentos adquiridos.
Antes de nos debruçarmos como melhorar a memória, o que será desenvolvido na próxima crónica, alerto hoje para duas práticas muito frequentes entre os nossos jovens que prejudicam a capacidade de memória: o fumo, porque diminui a quantidade de oxigénio que chega ao cérebro e a cafeína, que para além de um efeito positivo por manter a atenção e acabar com o sono, mas a excitação por ela provocada poder interferir com a função da memória.

Fotografia de outcast104

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Luís Cabrita

Médico Pediatra

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