Embora não existam estatísticas oficiais sobre a percentagem de acidentes ocorridos durante a prática de atividades náuticas, estes acontecem. Porém, cabe aos meios de comunicação e aos meios de fiscalização, clarificarem a realidades dos factos e acontecimentos, não deixando o público em geral cair em mitos e realidades desvirtuadas do nosso país, e da situação em concreto.

Há que separar acima de tudo, a prática desportiva controlada, seja ela casual, recreativa, competitiva e federada, daquela que nos dias de hoje é bastante generalizada, a caracterizada como “informal”, realizada independentemente de qualquer supervisão ou responsabilidade efetiva de um agente desportivo. Se por recreação pessoal decidir apanhar umas ondas na costa, juntamente com outros amigos, seja numa prancha ou kayak, num contexto informal, não posso esperar que haja um controlo ou responsabilização de qualquer técnico, professor, treinador ou outro agende desportivo: estou por minha conta e risco!

Então, num contexto de formação ou prática desportiva para escalões mais jovens, devemos procurar atividades e entidades que estejam credenciadas para o efeito, que possuam materiais, instalações, condições e acima de tudo recursos humanos com experiência e com certificação. Aqui a responsabilização dos agentes é uma prioridade, mas se na classe política e governativa não existe o exemplo, é difícil conseguir o consenso.

Na área da náutica desportiva, nomeadamente atividades de contexto controlado (nunca informal!), a percentagem de acidentes é mais baixa que a maior parte das modalidades coletivas. E se não contabilizarmos as práticas realizadas por empresas de dinamização desportiva, quase que digo que as estatísticas são nulas. Não estou a afirmar que só existem acidentes em atividades empresariais, existem em atividades associativas, em clubes e em contexto escolar, e por vezes até em contexto competitivo, mas os números são inexistentes…portanto, tirem as conclusões.

As federações desportivas, por imposição do Instituto Português do Desporto e Juventude, têm tentado expandir a sua base de formação de agentes, nomeadamente aos Treinadores, mas entre os quais estão contabilizados outros agentes, tais como professores no contexto escolar, técnicos de autarquias e até monitores de empresas de desporto aventura. As diferentes áreas e técnicos vão dizer que são formações diferentes, e que portanto não apresentam necessidade de realizar a formação promovida pelas várias federações desportivas, porém, na minha opinião, estão duplamente errados!

Os currículos superiores de desporto (professores e monitores) e as formações técnicas e profissionais para monitores de empresas baseiam-se sempre nas formações e exemplos das várias federações desportivas (nacionais e internacionais). É nas federações das respetivas modalidades que estão os mais específicos conhecimentos de cada modalidade, e já são várias as instituições de ensino superior e profissional que estabeleceram protocolos de cooperação e formação dos seus agentes.

Experienciar para conhecer, aprender para praticar, viver para ensinar!

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Ivo Quendera

Licenciado em Desporto

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