O estudo da autenticidade em turismo é complexo e pode referir-se a vários objetos de estudo. Pode-se estudar a autenticidade no que concerne: a) ao modelo de interação entre os turistas, residentes locais e intermediários turísticos, procurando-se compreender de que forma a cultura e as tradições locais são aprendidas e consumidas pelo turista, e, de forma elas são reformuladas e adotadas pela comunidade local; b) aos principais impactos sociais, económicos e culturais gerados pelo turismo na região recetora; c) à qualidade e ao tipo de atração cultural apresentada ao turista; d) ao próprio turista, que avalia a sua motivação de viagem, as suas imagens e preconceções do destino, o seu padrão de consumo e a sua maneira de avaliar e interpretar o que lhe é apresentado no destino; e) ao destino turístico, as suas atrações e os seus ambientes natural e construído e f) ao turismo em si, quer na perspetiva económica, quer como estrutura com valores simbólicos relevantes.

À complexidade da diversidade dos possíveis objetos de estudo da autenticidade, acresce a dificuldade da sua avaliação, ou seja, de que forma um determinado destino, comunidade, interação ou experiência é avaliada como “autêntica” ou “inautêntica.” Aqui coloca-se também a questão sobre “quem tem capacidade e legitimidade para avaliar esta autenticidade? Na literatura pode-se encontrar diferentes perspetivas no que se refere à avaliação da autenticidade do turismo: a) a do turista, que avalia a autenticidade do destino a partir de expectativas e conceções pré-definidas pela comunicação social, informação promocional ou contato com outros turistas; b) a do residente local, que tem interesses económicos, políticos e representativos, nomeadamente no que se refere à imagem turística do destino, à transformação de elementos culturais em atrações e à distribuição das receitas geradas pelo turismo e c) a dos académicos e investigadores que resulta geralmente de estudos levados a cabo por esta comunidade.

Assim, sendo impossível conciliar todos os objetos de estudo e difícil compatibilizar as avaliações dos diferentes stakeholders, é relevante, quando discutimos e estudamos a autenticidade do turismo esclarecermos bem o objetivo dessa discussão ou estudo, assim como, termos em conta os diferentes interesses dos possíveis avaliadores envolvidos. O esforço que se tem feito na comunidade científica no sentido de encontrar metodologias e modelos que possam ser adotados para medir esta autenticidade, é igualmente importante.

Muitas questões surgem associadas à questão da autenticidade e sobre as quais interessantes reflexões se colocam, nomeadamente sobre a possível incompatibilidade entre a autenticidade e a inovação. Pessoalmente considero que a inovação pode preservar e potenciar a autenticidade, mas este debate fica para uma próxima oportunidade!

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Teresa Costa

Professora Adjunta na Escola Superior de Ciências Empresariais
Professora Adjunta no departamento de Economia e Gestão do Instituto Politécnico de Setúbal, é atualmente Diretora do Mestrado em Ciências Empresariais e da Pós-Graduação em Gestão e Marketing Turístico. Doutorada em Gestão encontra-se a fazer o pós-doutoramento em Gestão na Universidade de São Paulo, sobre o tema do Empreendedorismo e Capital Social em Turismo Rural. É autora de capítulos de livros e vários artigos científicos publicados em jornais e revistas nacionais e internacionais. Faz parte de vários projetos de investigação nacional e internacionais e de comités científicos de diversas conferências e revistas internacionais.

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