Dou por mim a folhear um qualquer jornal diário ou semanário, nem sei bem, e a inteirar-me das notícias, das grandes notícias do dia, das noticias da economia nacional, das noticias do desporto, da cultura,… e nisto deparo-me com um fotografia curiosa, uma fotografia onde estão patentes o presidente Obama, a chanceler Merkel, entre outros lideres mundiais, a tomarem um pequeno-almoço de salsichas, pretzels e cerveja.
A fotografia é curiosa quando percebemos que aqueles seres humanos que aparentam estar a deliciar-se com um farto pequeno-almoço (mesmo que depois tenham ganho uma grande azia, com tanta salsicha ao pequeno almoço…) possuem muito poder em relação a outros seres humanos, eles são governantes de grandes nações, alguns de continentes inteiros, e porque não, do mundo.
Mas estes governantes vivem numa bolha, similar aquelas que se formam quando temos uma queimadura (aproveito para deixar patente que o sol é perigoso e que devemos ter cuidado com a exposição solar, mas parece que quando abre um “solzinho” vamos todos para a praia para torrar, e tenho visto já muitos “bronzes avermelhados, tipo lagosta”, mas devemos ter cuidado porque os resultados mais negativos dessa exposição solar só serão visíveis dentro de alguns anos e o cancro da pele mata, mas voltamos à crónica…) sabem, aquelas que contêm a queimadura e protegem o tecido queimado de danos exteriores, e não sabem como vivem mais de metade do seu eleitorado.
Isto é verdade para os governantes “mundiais” mas também o é para os governantes “locais”, os nossos governantes nacionais.
A questão não é bem que “não saibam”, mas o facto de saber que existe muita fome na Etiópia (ou aqui em Portugal), e apesar de já ter passado algum tempo sem comer não me torna um governante capaz de resolver o problema da fome na Etiópia. A última vez que me recordo de tal ter acontecido deveu-se apenas à preguiça de ir ao frigorífico e preparar qualquer coisa, então possivelmente a minha solução para a fome na Etiópia passaria por colocar mais frigoríficos em cada casa e assim aumentar o acesso a frigoríficos, acabando com a fome. Mesmo que na Etiópia muitos lares não possuam eletricidade, nem comida para encher o referido frigorífico.
Fora a questão da hipérbole, o problema é muito atual, pois dentro de 4 meses vamos de novo eleger os membros para a Assembleia da República, e os nomes das pessoas a votos são sempre os mesmos, são os que ouvimos falar nos jornais, nas notícias, e que todos nos dizem que são os que podem governar…
Mas acham que algum membro do governo teve que viver com o ordenado mínimo nacional, que serão perto de 13% dos trabalhadores? Acham que algum membro do governo já esteve desempregado, é que cerca de 14% dos portugueses estão? Onde é que estes grupos estarão representados na assembleia?
E ainda acha que nada tem para oferecer à política? Acha que os atuais governantes têm sido seus representantes? Todos devemos tentar ser mais interventivos politicamente, simplesmente para termos a nossa voz ouvida, para termos os nossos problemas discutidos, porque a solução não pode ser “simplesmente não votar”. Senão, um dia, corremos o risco de termos frigoríficos subsidiados pelo estado mas não termos eletricidade ou nada para lhes colocar dentro… pense nisso.

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Rui Pereira

Membro da Direção da Associação Cultural e Artística Elucid’Arte
Nascido em Setúbal, Licenciado em Arquitetura pela Universidade Moderna de Setúbal, Licenciado em Engenharia Civil pela Escola Superior de Tecnologia do Barreiro – IPS, inscrito nas respetivas Ordens Profissionais e Doutorando em Arquitetura, especialidade de Teoria e Prática do Projeto, na Faculdade de Arquitectura – ULisboa. Domínios de atividade profissional: Gestão de projetos e obras, Auditoria e Fiscalização, Consultor e Formador. Membro da Direção da Associação Cultural e Artística Elucid’Arte desde 2008.

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