As espécies exóticas ou espécies não indígenas são designadas deste modo pelo facto de não serem espécies nativas do local onde são encontradas mas que foram introduzidas de algum modo num dado território em que seria impossível encontra-las sem a interferência do homem. As espécies exóticas, de um modo geral, causam impactos no equilíbrio do ecossistema das espécies nativas ou autóctones. As espécies introduzidas num dado habitat podem apresentar vantagens competitivas em relação às nativas e proliferar no novo habitat, contribuindo para a perda da biodiversidade das espécies nativas.

   

Existem vários exemplos já identificados de espécies exóticas introduzidas de fauna e flora que se tornaram problemáticas em Portugal e noutros países. Os mecanismos de desenvolvimento, adaptação e reprodução da espécie exótica podem ser lentos ou rápidos no habitat onde foi introduzida. Se a espécie tiver boas condições de adaptação ao local, pode desenvolver-se rapidamente fazendo diminuir a quantidade de alimento disponível para as espécies nativas e as próprias espécies introduzidas, potenciando o abandono do local por parte das espécies nativas e com consequências na perda da biodiversidade. A intensidade desta proliferação e multiplicação pode fazer com que estas espécies se tornem invasoras e pragas dos ecossistemas que vão colonizando. A introdução das espécies exóticas pode ser feita por transporte voluntário ou involuntário. O transporte voluntário está associado ao uso de uma dada espécie não originária do local com um determinado fim, normalmente, uso doméstico. O transporte involuntário está relacionado com o aproveitamento de determinadas espécies que podem passar de um local para outro associado a mercadorias transportadas sem que haja uma ação direta do homem no processo de introdução da espécie exótica.

   

Este fenómeno não é recente e esteve sempre associado ao interesse por espécies de plantas e animais originárias de outros países que não eram vistas em certos territórios. O homem nas suas viagens teve sempre grande interesse pela avaliação se a nova espécie se poderia adaptar com facilidade no seu próprio país.
   

Como exemplos de espécies exóticas temos as aves originárias de países tropicais que devido ao seu tamanho e cores exuberantes atraem as pessoas para adquirirem como animal doméstico. Muitas vezes estas aves escapam-se das gaiolas e passam para os habitats naturais onde se habituam com facilidade. Algumas destas aves podem conseguir reproduzir-se com indivíduos de espécies autóctones e podem gerar descentes férteis e iniciar uma nova espécie com características genéticas diferentes da original e que poderá conseguir adaptar-se melhor do que os progenitores, ou simplesmente reproduzirem-se entre si e gerar novos indivíduos para o ecossistema. São exemplos de algumas aves, o faisão (Phasianus colchicus), o ganso do egipto (Alopochen aegyptiacus), diversos papagaios e periquitos da família dos Psitacídea, a rola-do-senegal (Streptopelia senegalensis), entre outros. Também nos peixes, invertebrados e mesmo nas plantas podem-se encontrar espécies exóticas. Nos peixes temos como exemplos o perca-sol (Lepomis gibbosus), a carpa (Cyprinus carpio), a achigã (Micropterus salmoides), entre outros. Nos invertebrados temos como exemplo o lagostim vermelho (Procambarus clarkii) e ameijoa asiática (Corbicula flumínea). Também poderemos ter exemplos de plantas como as acácias (Acacia spp.), o chorão das praias (Carpobrotus edulis), o jacinto de água (Eichhornia crassipes), a figueira-do-inferno (Datura stramonium), a cana (Arundo donax), as piteiras (Agave americana), entre outras, que também constituem espécies exóticas introduzidas no passado e que se tornaram verdadeiras pragas invasoras devido à sua grande capacidade de dispersão e multiplicação.

   

A lista de espécies consideradas invasoras em Portugal encontra-se publicada no Decreto-lei n.º 565/99 de 21 de Dezembro embora já existam dados mais recentes de outras espécies exóticas consideradas invasoras em trabalhos realizados em 2002, em particular para as aves.

   

Um grande desafio que se coloca muitas vezes às entidades responsáveis pela gestão de áreas afetadas por estas espécies exóticas está relacionado com a melhor forma ou metodologia que deve ser aplicada no controlo destas espécies exóticas consideradas como pragas e que provocam desequilíbrios graves nos ecossistemas. A proliferação destas invasoras pode ser de tal forma intensa que devasta por completo a flora natural autóctone de zonas dunares, e em zonas de solo que poderia ser utilizado por outro tipo plantas, arbustos ou arvores com mais interesse ambiental. Este processo pode ter consequências económicas bastante importantes pois a situação de desequilíbrio no ecossistema pode ser de tal forma acentuado que seja necessário prever um plano de recuperação ambiental do local afetado e investir para repor o ecossistema antes de afetação pela espécie invasora. Existe legislação específica nesta matéria que regula a introdução de espécies exóticas assim como já existe conhecimento de muitas espécies consideradas de risco ecológico para os ecossistemas e que deverá ser tida em conta sempre que se pretenda introduzir uma nova espécie num dado território.

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Ricardo Salgado

Coordenador do curso de Engenharia do Ambiente
Docente e coordenador do curso de Licenciatura em Engenharia do Ambiente da ESTSetúbal; Investigador na área do Ambiente, em particular no tratamento de águas residuais.

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