A Socialização que se inicia na família, prossegue durante toda a nossa vida, sem ocultar nenhum aspecto. É curioso, como tomamos certos caminhos de percursos assumidos como coisas anónimas ou contadas ao vento. Sempre que temos coisas para relatarmos aos nossos sobrinhos, netos ou bisnetos, fazemo-lo com carinho e com a importância de quem já viveu muito para poder ser melhor ou maior do que outros mais pequenos.

   

Estórias ínfimas de quem voou num pé de flor, são dramas teatrais de quem representou teatros de vida, numa caixa de papel de seda onde cada figura é uma sombra. O Mundo é um teatro, dizem os dignos representantes das ciências sociais. É verdade. Representamos para a vida, de uma forma soberba ou insonsa. Somos grandiosos ou pequeninos, numa pequenez que nos assusta de tanto nos assustar. E agora começa um novo ano. Uma nova etapa, para quem é apenas uma centelha divina ou um pedacinho de estrelas, como já disse alguém.

   

Quais os desafios colocados por este novo ano? Quais os novos relatos de quem nomeou os Orientes mágicos, de quem orientou os caminhos de quem percorreu vias mágicas?

   

Seremos todos frágeis? E onde reside essa nossa fragilidade, essa nossa habilidade em fazermos truques de magia branda que tem consequências brutais nas nossas vidas? Seremos bolas de cristal cintilantes e ondeantes que vemos a vida de uma outra forma, de uma outra cor?

   

A vida muda depois de uma tragédia e às vezes essa tragédia é não ser uma borboleta cintilante que voa depois de uma coisa bonita de se ver. Consta que houve um sultão que tinha uma mulher imaginária, que era tão bela que não tinha rosto. A verdadeira beleza, é uma coisa inesquecível. A verdadeira beleza é uma coisa demasiadamente bela para ser definida. É simplesmente a beleza idónea de quem sabe o que é o Bem e o Belo.

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Conceição Pereira

Antropóloga e professora desempregada
Cidadã solidária para com a sociedade.

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