Outro dia, em conversa com amigos à volta da mesa do café, começou-se a falar de histórias antigas e curiosas de concertos realizadas em Setúbal. Neste tipo de histórias é sempre incontornável lembrarmo-nos do mítico festival de jazz de 1978, que trouxe pela primeira vez a Portugal nomes como o de Peter Brötzmann ou o de Sunny Murray, por exemplo. Mas também existem outras, como aquele concerto em tempos idos do Noiserv, com um então ainda mais desconhecido B Fachada na primeira parte, que tocaram para menos de uma dezena de pessoas(!) na Capricho, num concerto da Experimentáculo. Anos depois, ambos voltariam pela mão da Experimentáculo a Setúbal, o primeiro enchendo o cinema Charlot e o segundo o forte de São Filipe.


Foi esse o mote que me levou a pensar no historial de concertos da Experimentáculo. Afinal de contas, desde 2006 que muitos já foram organizados, por vários espaços de Setúbal, desde colectividades como a Caprihco ou o Club Setubalense até espaços municipais como a Casa da Cultura ou o Fórum Luísa Todi, passando por bares como o ADN ou por locais menos convencionais, como a Capela de São Francisco (e isto lembra-me outra história curiosa, que agora faz rir mas que na altura não teve piada nenhuma, de um concerto interrompido dos Traumático Desmame).


Ora bem, pus então mãos à obra e pus-me a contar. De 2006 ao final de 2014, a Experimentáculo já promoveu um bonito numero de 241 concertos. Destes, são muitos os de bandas que se estrearam em Setúbal, mas não há como escapar ao dos Mão Morta, no encerramento do FUMO em 2012, que finalmente vieram a Setúbal ao fim de 25 anos de carreira, naquela que era a única capital de distrito onde nunca tinham actuado. Também os Dead Combo tocaram no FUMO, em 2011, naquela que acho que foi a primeira vez em solo setubalense. Os Pop Dell’Arte, que tocaram no ano seguinte, não se estrearam cá dessa vez, mas não o faziam desde… 1986.


Destes 241 concertos, espalhados por 14 locais diferentes, é curioso contar que 18 foram de bandas internacionais, de 7 nacionalidades diferentes: do Brasil (como os Haxixins), de Espanha (como os Trono de Sangre), de França (como os Skeleton Band), da Finlândia (Herra Makikuisma), da Irlanda (Simon Kempston), do Reino Unido (como os Kill ‘em Dead Cowboy) ou de Itália (como os Almadino Quite DeLuxe). E agora uma pergunta para quejinho: no meio destes espectáculos todos, qual terá sido a banda que já tocou mais vezes em Setúbal pela mão da Experimentáculo? A vitória vai para o bluesmen barreirense Fast Eddie Nelson, que entre os seus inúmeros projectos (a solo, com os Riverside Monkeys ou em duelo com outros one man bands) já se apresentou em Setúbal por 9 vezes. Logo a seguir, o setubalense Tio Rex e Hell Hound, tanto a solo como em conjunto, já tocaram por 7 vezes. E a completar o pódio, a Nicotine’s Orchestra conta com 6 actuações. Finalmente os Duas Semicolcheias Invertidas e os Um Corpo Estranho levam 5 concertos. E o que têm estas bandas em comum? O facto de todas elas terem lançados álbuns pela Experimentáculo Records.


2015 começou agora, mas já existem vários planos para os próximos meses. O primeiro é já hoje, dia 16 de Janeiro, no Quartel do 11, com o concerto de apresentação do novo EP dos Ash is a Robot, com os Um Corpo Estranho como convidados especiais na primeira parte. Dia 23, na Casa da Cultura, recebemos a visita dos espanhóis Raisa, reis do psicadelismo bucólico. Depois, em Fevereiro, regressam os franceses Putan Club e os Los Saguaros e, em Março, a estreia dos noruegueses Level & Tyson em Setúbal. Como vêem, 241 concertos depois ainda há muito mais para vos oferecer.

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José Vale

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