A história da União Europeia, assente em valores humanistas e universais, bem como a presença alargada enquanto ator global colocam-na numa posição privilegiada para agir em prol do desenvolvimento. O Ano Europeu para o Desenvolvimento é encarado como uma iniciativa conjunta para despertar consciências e envolver os europeus num desenvolvimento global que é nossa responsabilidade comum, sob o mote “O nosso mundo, a nossa dignidade, o nosso futuro”. A mensagem que se pretende passar é que apenas temos um mundo. Só viveremos em dignidade, se todos vivermos com dignidade, e devemos de trabalhar em conjunto pelo nosso futuro global.

Porquê? Porque somos e estamos, no mundo, com os outros.

Com os outros que estão dentro e fora da Europa, que se encontram a Norte ou a Sul, desenvolvidos ou em vias de desenvolvimento, incluídos ou excluídos, pobres ou ricos, com emprego ou sem ele, com ou sem cidadania e ainda com os que usam ou não usam essa cidadania, que participam, ou não, democraticamente. E, como a história desta Europa e deste Portugal nos mostra, somos uns e somos outros, em momentos diversos.

Saliente-se, portanto, que a mensagem principal de 2015: Ano Europeu para o Desenvolvimento não poderá deixar de ter na sua essência o facto de este ser um ano de todos e para todos, um ano que se pretende mobilizador, transversal, como transversal é a própria temática do desenvolvimento.

E falar de desenvolvimento é falar das pessoas. Uma terra é o espelho de quem nela mora. As terras não se desenvolvem, quem se desenvolve são as pessoas. Não há desenvolvimento sem pessoas e as pessoas só se desenvolvem pelo saber.

O mundo move-se pelo saber. Se todas as crianças nos países mais pobres saíssem da escola com competências básicas de leitura e escrita, a pobreza no mundo diminuiria 12%! E a Europa no Mundo tem como objetivo prioritário o combate à pobreza nos países em desenvolvimento.

A Educação é o melhor investimento possível contra a exclusão, a desigualdade e a pobreza. A cooperação para o desenvolvimento tem ajudado milhares de crianças a prosseguirem os seus sonhos, a realizarem o seu potencial e contribuírem para a sociedade. Não nos esqueçamos das palavras de Nelson Mandela: “A Educação é a arma mais poderosa que podemos usar para mudar o Mundo”.

Investir na Educação em todo o mundo, para além de uma questão de direitos humanos, é economicamente inteligente! Cada ano que uma criança permanece na escola representa um aumento nas suas oportunidades de futuro e de melhoria das suas condições de vida. Esta é também a nossa responsabilidade enquanto cidadãos globais.
Estabeleceram-se objetivos ambiciosos para a Educação: “Toda a pessoa tem direito à educação”, Declaração Universal dos Direitos Humanos em 1948, em 1990 na Declaração Mundial de Educação para Todos, ou em 2000 nos Objetivos de Desenvolvimento do Milénio (ODM2). Mas desde 2010, a ajuda ao desenvolvimento mundial no setor da Educação diminuiu cerca de 10%. Ou seja, um direito que continua por realizar…

Lembro, para terminar, as palavras de Malala, na luta pela Educação como fator de mudança: “Uma criança, uma professora, uma caneta e um livro podem mudar o mundo”.

Porque está em causa «O nosso mundo, a nossa dignidade, o nosso futuro», vale a pena percorrer a estrada para o desenvolvimento. São caminhos com avanços e recuos, por vezes difíceis, mas que mudam vidas e dão oportunidades às pessoas para uma vida mais digna.

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