“As hortas são um equipamento comunitário que permite uma forte ligação ecológica, social e económica entre os habitantes da cidade e uma atividade agrícola sustentada”, sublinhou a presidente da Câmara Municipal de Setúbal, Maria das Dores Meira, na cerimónia de entrada em funcionamento da segunda fase do projeto.

No ato, assinalado com a assinatura dos acordos de utilização das novas 74 parcelas de terreno disponíveis, com 30 metros quadrados cada, a autarca destacou a importância da prática da horticultura nas Hortas Urbanas de Setúbal para a satisfação da população urbana.

“Permitem o cultivo de alimentos saudáveis ao ritmo da natureza, acrescentando qualidade ao quotidiano urbano e poupança à economia dosagregados familiares”, realçou Maria das Dores Meira, para destacar a importância do consumo de alimentos produzidos em modo biológico.

A iniciativa municipal, além de estimular “a integração e a convivência social entre pessoas com variadas idades, aptidões físicas e heranças culturais e de promover as práticas ancestrais de trabalho do solo”, permite o fortalecimento das relações sociais e da identidade cultural dos munícipes.

As Hortas Urbanas de Setúbal estão localizadas “numa zona de fronteira entre o urbano atual e quintas rurais do passado”, aludiu a edil setubalense, ao frisar que o cariz comunitário do equipamento está “bem definido nas opções de partilha das instalações de apoio, das ferramentas e da água” do equipamento.

A apresentação e assinatura dos contratos de utilização das novas parcelas de terreno para cultivo nas Hortas Urbanas de Setúbal decorreu no refeitório municipal, espaço no qual se cruzaram diferentes
gerações, a maior parte a iniciar a primeira aventura na agricultura.

O cultivo da terra passa a fazer parte do quotidiano de Ana Margarida Serôdio, uma das novas utilizadoras das Hortas Urbanas de Setúbal. Aos 35 anos, a aventura na agricultura constitui “uma novidade”. Contudo, está convicta “de que vai correr tudo bem”, apesar da falta de experiência.

A munícipe, ansiosa por começar a trabalhar a terra, elogiou a iniciativa municipal e a extensão do projeto a mais pessoas. “É excelente”, soltou uma das mais recentes agricultoras urbanas, já
com metas bem definidas. “O objetivo é produzir produtos hortofrutícolas e assegurar uma alimentação mais saudável para os meus filhos.”

A agricultura chegou também, pela primeira vez, para Avelino Machado. Debutante, aos 60 anos, no trabalho da terra, agarrou a oportunidade deexperimentar uma nova ocupação, numa iniciativa impulsionada pela Câmara Municipal de Setúbal, com início em 2013, que considera
“fantástica”.

Avelino Machado já sabe o que plantar. “Para já vou começar com produtos da época”, apontando desde logo as couves como objetivo primordial. “Depois, logo se vê o que faz mais falta”, até
porque, com a nova horta, vai “tentar fazer uma vida com menos encargos e também mais saudável”.

Após a assinatura dos contratos de utilização das 74 novas parcelas de terreno para cultivo, alguns dos novos agricultores urbanos, apesar das condições meteorológicas adversas, não resistiram em fazer um
primeiro contacto com os talhões destinados à agricultura biológica.

Nas mãos traziam vasos com plantas de cravos túnicos que servem de repelente de moscas e outros insetos, numa oferta feita pela presidente da Câmara Municipal e pelo vereador do Ambiente, Manuel Pisco.

“Parece-me que vêm aí boas produções”, anunciou, confiante, o vereador, ao agradecer “o interesse demonstrado” por mais de uma centena de pessoas em utilizar a segunda fase das Hortas Urbanas de
Setúbal. “Estamos orgulhosos deste projeto e não queremos ficar por aqui.”

Com a inauguração da segunda fase do projeto, as Hortas Urbanas de Setúbal ficam com um total de 148 parcelas de terreno, entre os quais constam dois talhões com características adaptadas a pessoas com
mobilidade reduzida, criados num terreno sobrelevado durante a primeira fase.

A Câmara Municipal investiu mais de 20 mil na criação das condições para a implementação da segunda fase, com trabalhos de preparação do terreno e instalação de infraestruturas de suporte, ao longo de três
meses, por empreitada e por administração direta, ou seja, com recursos técnicos e humanos da própria Autarquia.

Os utilizadores das Hortas Urbanas de Setúbal podem produzir plantas hortícolas para autoconsumo ou recreio, instalar na sua parcela estruturas básicas de apoio e vedações no perímetro do espaço, numa
altura até 25 centímetros, tipo sebe viva ou madeira, e usufruir do composto resultante do processo de compostagem.

A infraestrutura comunitária inclui áreas de utilização comum, como espaços para o armazenamento de ferramentas, uma unidade de compostagem para restos vegetais e instalações sanitárias, e zonas de
circulação para os utilizadores, que devem estar sempre desimpedidas e em bom estado de conservação.

A utilização das áreas de cultivo, efetivada em contratos quadrienais, implica o pagamento mensal de 7,5 euros para compensação parcial dos encargos de funcionamento das hortas e de fornecimento de
água, montante que pode ser atualizado anualmente ou na sequência de alteração anormal das circunstâncias.

“Já vamos vendo por aí estes agricultores a gabarem as suas hortaliças e todos os vegetais que daqui [das Hortas Urbanas de Setúbal] brotam. E de certeza que são muito bons, porque o que é cultivado com paixão, com vontade, só pode dar boas colheitas”, enalteceu Maria das Dores Meira. “Agora, mãos à horta.”