Cerca de três dezenas de embarcações participaram no cortejo marítimo que, no sábado, depois de um interregno de 40 anos, voltou a assinalar o início das Festas do Círio de Nossa Senhora da Arrábida, a decorrerem em Setúbal até ao dia 12. As festividades, uma tradição da comunidade piscatória associada à antiga freguesia da Anunciada, têm mais de 400 anos de história e repartem-se entre atividades religiosas e pagãs. Apesar de as festas nunca terem terminado, na década de 1970 foi interrompido o círio marítimo realizado por pescadores entre a cidade e a Serra da Arrábida.

O cortejo de barcos engalanados foi agora recuperado com um apoio prestado pela União de Freguesias de Setúbal à comissão de festas. O presidente da junta de freguesia, Rui Canas, destaca que se trata de revitalizar “uma tradição antiga de uma das principais comunidades piscatórias de Setúbal”. Juntamente com o círio de Nossa Senhora do Rosário de Troia, são agora dois os cortejos marítimos em Setúbal. Rui Canas garante que “não há rivalidades. Um diz respeito a uma comunidade e o outro, a outra. Na realidade, todos os pescadores acabam por participar em ambos os cortejos. Trata-se de revitalizar tradições culturais muito fortes da população, pelo que os dois círios se acabam por complementar”.

A tradição popular associa as Festas do Círio de Nossa Senhora da Arrábida à aparição da Virgem Maria na serra durante um temporal, emitindo uma luz intensa na encosta que ajudou uma tripulação desnorteada e em aflição a chegar a bom porto.