Os 250 anos do nascimento de Bocage são assinalados em Setúbal com um programa comemorativo que, ao longo de um ano, até setembro de 2016, promove a realização de vários eventos culturais.

 “Para cumprirmos este dever de manter o poeta nas nossas memórias baseámo-nos numa simples ideia: Bocage é da cidade e de quem a habita”, sublinhou a presidente da Câmara Municipal de Setúbal na apresentação oficial do programa, realizada esta tarde, na Casa Bocage.

 Com o programa arquitetado pela Autarquia e uma Comissão Científica, Maria das Dores Meira espera que “a cidade, os setubalenses e todos os que fazem de Setúbal a sua terra se apropriem do poeta, que o sintam como seu”.

As Comemorações dos 250 Anos do Nascimento de Bocage, que incluem, por exemplo, concertos, exposições, apresentações de obras literárias e peças de teatro, procuram também, acrescentou, “internacionalizar mais Elmano Sadino”, além de “trazer Bocage para o século XXI”.

A autarca sublinhou que o vasto programa comemorativo, responsável “por um ano de intenso espírito bocagiano”,apresenta como notas dominantes a opção pelo espaço público e a diversidade de linguagens estéticas e artísticas, pensadas para diferentes públicos, sem esquecer a aproximação da comunidade educativa ao legado literário e à biografia do poeta.

“Queremos que as escolas, coletividades e movimento associativo participem ativamente nestas comemorações”, frisou Maria das Dores Meira.

O vereador da Cultura, Pedro Pina, acrescentou, em jeito de brincadeira, que “as comemorações dos 250 anos do nascimento vão acabar por ter 250 iniciativas”, a julgar, rematou, pela adesão já demonstrada pela comunidade educativa, pois “só neste grupo, para o qual estão pensadas dezenas de atividades, está uma ínfima parte de todo o programa comemorativo”.

Embora o programa já tenha apresentado duas iniciativas no início deste mês, a abertura oficial está prevista para o 15 de Setembro, Dia de Bocage e da Cidade, data que inclui várias outras atividades, com um concerto inaugural, às 21h30, na Praça de Bocage, a cargo da Orquestra do Norte, conduzida pelo maestro José Ferreira Lobo e com a participação dos solistas Cristiana Oliveira, Liliana de Sousa e Rui Silva.

O investigador Daniel Pires, presidente da direção o Centro de Estudos Bocageanos e membro da comissão científica das comemorações, adiantou que o programa está a ultrapassar largamente o território do concelho do Setúbal.

“Há 25 instituições de todo o País que já aderiram a estas comemorações”, salientou, realçando os contributos de entidades como a Biblioteca Nacional, que, por exemplo, vai editar a obra de Bocage em braile, a Torre do Tombo, o Instituto Camões e o Centro de Estudos Judiciários, que descerrará uma lápide em honra do poeta.

Daniel Pires adiantou igualmente que há vários contactos com instituições, em particular universidades, para a realização de eventos em países como Itália, França, Inglaterra e Brasil, sendo quase certa a organização de colóquios e conferências sobre Bocage nalguns deles.

Em relação à programação completa das comemorações, Maria das Dores Meira, “não desprezando nenhuma das outras iniciativas”, destacou ainda a mostra documental “Nos 250 Anos de Manuel Maria Barbosa du Bocage”, a apresentar no Arquivo Nacional Torre do Tombo, em Lisboa, e o lançamento do livro “Bocage – A Imagem e o Verbo”, de Daniel Pires, um dos mais proeminentes investigadores do poeta.

A autarca salientou igualmente as Tertúlias Poéticas, nas quais se lerão escritos de Bocage, a exposição “Da Inquietude à Transgressão: eis Bocage…”, comissariada por Daniel Pires e a apresentar na Biblioteca Nacional, em Lisboa, e a Noite Bocagiana, que promove apontamentos culturais na Baixa da cidade, com os comerciantes também a participar, decorando as montras mediante o tema das comemorações.

Maria das Dores Meira realçou, ainda, o Concurso de Artes Plásticas Bocage, para dinamizar o meio artístico local e nacional em torno da figura e obra do poeta.

Caso sejam apresentadas obras de reconhecida qualidade no decurso do concurso, a presidente da Câmara Municipal revelou que a Autarquia pondera a possibilidade de as transformar posteriormente em arte urbana.

Outros eventos da programação sublinhados pela autarca foram a exposição “Bocage Malcriado”, com pinturas e desenhos de Manuel João Vieira, o 1.º Congresso Internacional Bocage e, já no último dia das comemorações, a inauguração da nova exposição permanente da Casa Bocage.

Maria das Dores Meira afirmou que, uma vez que o programa não está fechado, é complexo apresentar um orçamento total para o mesmo, mas acrescentou que, só da parte da Autarquia, é esperado um investimento de cerca de 200 mil euros, sendo que esse valor não inclui os contributos de mecenas e outras instituições parceiras do projeto.